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País fecha 72,6 mil vagas

25 de junho de 2016

Apesar dos indícios de retomada da confiança por parte de empresários, o mercado de trabalho formal expulsou 72.615 pessoas em maio, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem. Foi o 14º mês seguido de cortes em postos com carteira assinada

O número é o saldo entre 1,282 milhão de dispensas e de 1,209 milhão de admissões no período. Com mais um desempenho negativo, a economia brasileira registra o fechamento de 448,1 mil vagas nos cinco primeiros meses do ano, o pior resultado desde que esse indicador acumulado passou a ser contabilizado, em 2002. Em 12 meses, o saldo é de 1,781 milhão de vagas formais a menos no País

Embora o governo diga que a recuperação do País pode ser mais rápida do que se imaginava, sob a perspectiva do emprego os sinais são de que a crise segue piorando, afirma o professor Márcio Salvato, coordenador de Economia do Ibmec/MG. "O resultado de maio mostra que a crise continua profunda, principalmente nos setores de comércio e serviços", comenta. O segmento de serviços foi o que mais fechou postos de trabalho em maio, com extinção de 36.960 vagas, seguido do comércio, que cortou 28.885 postos. Também demitiram construção civil (¬28.740), indústria de transformação (¬21.162), extrativa mineral (¬1.195) e serviços industriais de utilidade pública (¬181). 

O economista Thiago Biscuola, da RC Consultores, vê um "estancamento da sangria" nas demissões na indústria, mas a avaliação não vale para comércio e serviços, setores que foram mais resistentes à tendência de redução no emprego num primeiro momento. Sem sinais de melhora, eles acabaram sucumbindo à crise Segundo Biscuola, o corte recente nessas duas atividades é reflexo da diminuição da renda e do elevado nível de endividamento da população, restrições que afetam setores como hotelaria e alimentação fora do lar. Esse efeito deve perdurar pelo menos até o terceiro trimestre de 2016, avalia o economista. "Podemos esperar saldo ruim para esses segmentos em junho, julho e agosto", diz.

Salvato, do Ibmec, ressalta que a persistência do quadro de queda na renda, desaceleração da atividade e inflação elevada faz com que a melhora efetiva do quadro econômico seja postergada cada vez mais. "Enquanto não houver sinalização de melhoria na taxa de inflação, não haverá alívio na restrição de crédito", destaca, mencionando que são fatores decisivos para que as vendas voltem a crescer e as empresas retomem as contratações.

Os dois únicos desempenhos positivos no Caged de maio vieram da agricultura, que gerou 43.117 novos postos, e da administração pública, com contratação líquida de 1.391 pessoas. Os dois também são os únicos com saldo positivo no acumulado dos cinco primeiros meses do ano.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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