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País deixa de recolher R$ 30 bi com pirataria

30 de setembro de 2007

 

Quem compra produtos falsificados talvez não conheça o tamanho do problema que gera com o ato. A pirataria ganhou proporções de uma rede criminosa organizada que prejudica o cidadão e a economia do País, já que se deixa de recolher cerca de R$ 30 bilhões por ano em impostos, segundo a União Nacional de Auditores Fiscais. Esse dinheiro, que poderia estar sendo investido na educação, é roubado por verdadeiras máfias, em alguns casos, as mesmas que entram com drogas no Brasil e alimentam o tráfico e a violência.

De acordo com o presidente do Conselho Nacional de Combate a Pirataria e Delitos de Propriedade Intelectual, Luiz Paulo Barreto, o problema da pirataria é uma questão mundial e no Brasil  situação é bastante grave. “É tudo muito organizado, tem uma rede criminosa direcionada só para facilitar a entrada dos produtos na América do Sul, outra para a entrada dos produtos no Brasil, outra para realizar a distribuição etc. Para combater esse tipo de crime, é necessário que a população coopere não consumindo e denunciando”.

Além de sonegar impostos, o produto falsificado também não gera empregos. “Ao contrário do que se pensa, um produto pirateado gera a perda de 6 a 10 empregos dentro da cadeia de produção. Já que a grande parte dos produtos comercializados aqui são trazidos de outros países”, afirmou o presidente do Conselho. De acordo com um estudo da Universidade de Campinas (Unicamp), em torno de dois milhões de empregos se perdem devido à pirataria.

Os produtos falsos também podem ser prejudiciais à saúde e à segurança do consumidor. “O conselho está atuando desde 2005. De lá para cá já fizemos diversas apreensões, entre elas um carregamento de luvas cirúrgicas falsas. Imagine o perigo que as pessoas correm? Que tipo de médico utiliza aquele produto, que não tem qualidade? Além disso, em 7% das apreensões de veículos com produtos falsificados há também drogas sendo transportadas. Ou seja, o mesmo criminoso que está levando drogas para os nossos filhos é aquele que vende o produto pirata”, desabafou Barreto.

A advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidores (Idec), Mariana Alves, revela que é preciso tomar alguns cuidados para não ser enganado. “Sempre procurar lojas confiáveis, verificar se, no produto, há o nome do fabricante, e finalmente se certificar que o produto tem um selo de qualidade”, destacou. Ela lembra que quem compra produtos falsificados não terá direito a reclamar. “Esses produtos não tem garantias e o consumidor vai sair perdendo”, afirmou.

As indústrias Anhembi, fabricantes de produtos de limpeza da marca Q’Boa, estão sofrendo com a falsificação de seus produtos. De acordo com o químico responsável pelas indústrias, Celso de Lima, os produtos da marca, principalmente a água sanitária, vêm sendo pirateados. “Nossas embalagens estão sendo reaproveitadas e estão colocando dentro delas um produto não confiável”, explicou. Segundo ele, o consumidores precisam ficar muito atentos ao estado das embalagens, verificar se os lacres estão intactos e conferir o rótulo. “Um consumidor que compra uma água sanitária com o princípio ativo abaixo da dosagem especificada não vai proteger sua casa dos germes. Caso a dosagem esteja acima, ele poderá ter problemas de saúde”.

Fonte: Folha de Pernambuco

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