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Pacote já desagrada todo mundo
16 de setembro de 2015O novo pacote fiscal apresentado na segunda-feira pelo governo desagradou todo mundo. O mercado financeiro, apesar de ter uma expectativa positiva antes do anúncio, reagiu mal no dia seguinte. Depois de recuar 1,63% na véspera, o dólar voltou a subir ontem e fechou com alta de 1,28%, cotado a R$ 3,682 e os juros futuros dispararam. A Bolsa de Valores, oscilou e acabou fechando com alta tímida de 0,17%.
Os empresários não esconderam a insatisfação com as medidas, principalmente, porque o governo mexeu sem avisar antecipadamente no Sistema S. A previsão de corte de despesas foi de R$ 26 bilhões, sem sinalizações de verdadeiras mudanças a médio prazo na estrutura engessada dos gastos obrigatórios, o que elevou a preocupação dos especialistas com o fato de que o governo optou pelo caminho mais fácil: elevar a carga tributária dos brasileiros.
Nem mesmo os sindicalistas apoiaram o ajuste da presidente Dilma Rousseff. Em um ato público na Avenida Paulista, no coração de São Paulo, em defesa da democracia, do emprego e do salário, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, classificou as medidas anunciadas como lamentáveis e criticou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. “É um pacote recessivo, que imputa a culpa da crise aos trabalhadores. Vai exatamente ao contrário das propostas que a CUT tem apresentado. Esse pacote dialoga com a política de Levy que é de corte e não de investimento, de corte nos direitos dos trabalhadores e dos servidores públicos federais”, disse.
A principal crítica dos especialistas é que o novo ajuste está ancorado no aumento de impostos que precisam ser aprovados pelo Congresso Nacional, principalmente, na Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), cuja alíquota proposta de 0,2% deverá gerar receita de R$ 32 bilhões em 2016. Essa medida, na avaliação do especialista em contas públicas José Matias-Pereira, professor de Administração Pública da Universidade de Brasília (UnB), Dilma não tem capital político para isso, muito menos apoio da população, que mais uma vez vai ter que arcar com as consequências um governo perdulário. “Ela não tem mais credencial. Não consegue governar. E o pacote em si é cheio de medidas paliativas, mas o governo atual não conseguiria fazer nada além disso”, disse.
O economista Daniel Cunha, estrategista da XP Investimentos em Nova York, elogiou a iniciativa do governo por ter tentado reagir ao rebaixamento da Standard & Poor’s, que retirou o grau de investimento dos títulos brasileiros, para evitar que as demais agências façam o mesmo a curto prazo. No entanto, ele destacou que a magnitude do pacote foi pouco significativa.
Fonte: Diario de Pernambuco
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