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Os sete erros da Via Mangue
6 de outubro de 2013Faltando sete meses para a obra da Via Mangue ser finalmente entregue surgem incertezas quanto a sua eficácia na melhoria do sistema viário ligando o Centro do Recife à Zona Sul. Especialistas apontam pelo menos sete erros na concepção do projeto orçado em quase R$ 400 milhões. O maior pecado da via, segundo eles, foi ter se afastado da concepção original do projeto desenhado, inicialmente, na década de 1970 pela Fidem e redesenhado nas décadas de 1980, 1990 e 2000. O traçado já recebeu o nome de Via Costeira, Linha Verde, Via Metropolitana Sul e por último Via Mangue. Nas três versões anteriores, simuladas no Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), havia um elemento que foi dispensado no projeto atual: a terceira ponte. Sem ela, o desenho da Via Mangue optou pela meia ponte, que se encontra com a Ponte Paulo Guerra, no Pina (já saturada). Outro equívoco foi projetar um sistema viário de retorno tendo como base um túnel que só atende em parte o fluxo que vai da Zona Sul para o Centro. Os nós da obra estão ainda nas suas duas extremidades – chegada e saída – e no trecho lindeiro à costa, que não tem opção da pista local. E que deve se transformar em mais problema com a mudança da ocupação dos espaços que a própria via deverá proporcionar. O assunto é tão polêmico que os técnicos ouvidos preferiram não ser identificados.
Com 4,5 quilômetros de extensão, a via expressa compreende o trecho entre a Ponte Paulo Guerra (Pina) e a Rua Antônio Falcão (Boa Viagem), margeando a área de mangue. Os problemas no projeto já podem ser vistos nos viadutos construídos sobre a Antônio Falcão. Segundo um dos técnicos do setor que pediram para não ser identificados, a Antônio Falcão funciona como um binário com a Félix de Brito, mas o viaduto construído passa por cima apenas da Antônio Falcão. “É um descalabro de engenharia a chegada da Via Mangue à Antônio Falcão. Quando chega na Félix de Brito, o elevado que faz o sentido inverso é curto e não permite uma continuação. Isso vai exigir um semáforo, e quem vier da Imbiribeira vai ficar parado debaixo do viaduto”, alertou. O erro foi também visto por um especialista que fez parte da gestão passada. “Foi observado que o viaduto estava mais curto, mas foram feitos alguns estudos e a decisão foi de manter o desenho”, revelou a fonte.
Tem mais: no desenho da Via Mangue, segundo os especialistas, deveria haver uma pista local no trecho lindeiro à costa porque ela é uma via que não deve permitir parada de carga e descarga. “Mas como impedir a ocupação do trecho lindeiro? Será o mesmo problema que acontece hoje com a Conde da Boa Vista e a Presidente Kennedy”, apontou o técnico. O projeto também só possibilita que o ciclista trafegue por ela acessando-a pelo início ou pelo fim.
A Secretaria Municipal de Infraestrutura já admite que alguns erros precisam ser corrigidos. Um dos entraves já identificados foi no ponto de retorno do túnel, construído sob a Avenida Herculano Bandeira, porta de entrada do Pina. O túnel permite mais fluidez na via. Já a Avenida Antônio de Góes, saída do Pina, recebe o trânsito da própria Antônio de Góes e do túnel, que já está congestionando antes de a via expressa ficar pronta. “Acredito que uma alternativa é fazer o prolongamento do túnel. Não sou a favor do elevado, que será muito desconfortável para quem sai do túnel”, observou o engenheiro César Cavalcanti, coordenador regional da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP). O elevado é apontado como alternativa pelo técnico que participou da antiga gestão. “O prolongamento do túnel não era viável na época e não é agora. Tanto pelo custo como pelos transtornos no trânsito. A solução é um elevado longitudinal na Antônio de Góes”, diz.
Outro técnico discorda dos dois. “Se tivessem feito a terceira ponte não haveria necessidade do túnel e nem mesmo do prolongamento do túnel ou da construção de um elevado. Isso não irá resolver por uma razão muito simples: as duas pontes já estão bastante saturadas”, comentou. Pelo projeto de 2008 que foi simulado no PDTU havia uma terceira ponte nas imediações da Compesa e antes do terreno da antiga Bacardi, onde hoje funciona o shopping RioMar. No lugar dela foi construída a meia ponte estaiada, que se une à Ponte Paulo Guerra. “É uma ponte também pela metade que se liga a outra já saturada e que nem é estaiada. É apenas uma ponte com os fios de aço suspensos. Para ser estaiada, o vão precisaria ser maior”, criticou um engenheiro, em reserva.
A Secretaria de Infraestrutura prefere não adiantar que tipo de solução será dada. “Está sendo feito um estudo, que deve ficar pronto em 60 dias. Mas garanto que não ficará do jeito que está”, revelou o secretário Nilton Mota.
Ainda segundo o secretário, serão adotadas medidas emergenciais de engenharia de tráfego e algumas obras físicas antes de uma solução definitiva.
Alternativas apontadas por especialistas para a Via Mangue
A) Como a Avenida Antônio de Góes recebe o tráfego que sai do túnel da Herculano Bandeira, a sugestão é fazer o prolongamento do túnel por baixo da via e o trânsito passar por trás do prédio do Dnit para acessar a Ponte Agamenon Magalhães
B) Construir um elevado longitudinal na Avenida Antônio de Góes para que o tráfego que sai do túnel da Herculano Bandeira possa passar por baixo do elevado
C) Construção de uma terceira ponte como estava previsto no Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) de 2008 nas proximidades da Compesa e do Shopping RioMar
Conheça os sete erros da Via Mangue
1- Ausência de uma terceira ponte (prevista no PDTU de 2009)
2- Ponte estaiada (que não é estaiada)
3- Túnel da Herculano Bandeira (pela metade)
4- Viaduto do binário da Antônio Falcão (incompleto)
5- Ausência de uma pista local no trecho lindeiro à costa
6- Acesso para ciclistas apenas no início e no fim da via
7- Não serve como via metropolitana
Fonte: Diario de Pernambuco
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