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Obra nem acabou e já precisa de reparo

4 de junho de 2013
Com bancos quebrados, poças-d?água no chão, equipamentos de ginástica avariados e lixo no passeio público, nem parece que a beira-mar de Olinda passa por reformas. A obra no calçadão da Avenida Ministro Marcos Freire começou em 2010, com prazo de 12 meses para execução. Mas, até agora, não terminou.

"O serviço é lento e feito aos pedaços, por isso não dá para perceber mudança, a gente não vê a obra avançar", avalia Adalberto Batista, morador dos Bultrins e pescador na Praia de Bairro Novo. "Do jeito que está, o trabalho vai se estender até o fim do atual mandato do prefeito", comenta Adalberto Batista.

 
Militar e morador de Rio Doce, Flávio da Silva Gomes faz outra observação. "A obra não acabou e a prefeitura já precisa fazer reparos nos trechos reformados", destaca. Ele cita como exemplo bancos de madeira e cimento com assentos danificados.
 
"Não tem lógica botar banco de madeira na orla, claro que o sol e a maresia iriam estragar, só pode ser de propósito", diz Flávio Gomes. Ele costuma correr na beira-mar. "A situação é precária, mas para correr e caminhar o calçadão funciona", afirma.
 
Nílson Freitas, de Casa Caiada, também critica a demora na realização da obra. "O trabalho é executado em doses homeopáticas e não termina nunca. No meu bairro, estão trocando o piso de granito do calçadão, que é bem resistente, por um material mais frágil", lamenta.
 
Os aparelhos de ginástica e os bancos quebrados, na opinião de Nílson Freitas, são indícios da baixa qualidade dos produtos. Além disso, diz ele, causa estranheza a altura dos blocos de cimento que delimitam a pista exclusiva de bicicleta na orla.
 
"É uma coisa horrível, demarcaram a ciclovia com um muro que compromete a paisagem", diz Nílson Freitas, referindo-se aos blocos de cimento de 65 centímetros de altura enfileirados na avenida, em Casa Caiada.
 
Ciclistas elogiam a iniciativa, mas também discordam da escolha dos blocos de cimento. "A gente se sente mais seguro para pedalar, mas não precisa ser um negócio tão alto", declara Tiago Souza, do bairro de Jardim Atlântico.
 
Um dos trechos da avenida, sem pavimentação, virou depósito de brita. O calçadão, com o piso quebrado, encontra-se cheio de lixo: sofá velho, pedras, mato e pedaços do banco de concreto da orla, que está se soltando e deixando as ferragens expostas.
 
"A gente vê sinais de obra, como brita, material de construção e meio-fio na rua, mas nunca tem ninguém trabalhando, é tudo abandonado", declara Bradley Ribeiro, do bairro de Cidade Tabajara. Ela gosta de passar as tardes no lugar, com o filho pequeno, contemplando a paisagem. Por causa da chuva, a rua fica coberta de lama.
 
PREFEITURA
O projeto de recuperação de seis quilômetros da orla de Olinda custa quase R$ 23 milhões, sendo R$ 19,9 milhões o valor das obras e o restante para pagamento de indenizações. Prevê a reforma das barreiras de contenção do mar (pronta), pavimentação de vias, revitalização das calçadas, da pista de cooper e da ciclovia, brinquedos, quiosques, lombadas e nova iluminação.
 
Contempla a beira-mar de Bairro Novo, Casa Caiada e Rio Doce, até a ponte do Janga, no limite com Paulista. A secretária de Obras de Olinda, Hilda Gomes, explica o atraso e informa que o serviço termina em dezembro deste ano. "A rigor, qualquer obra de engenharia é feita com a área isolada, mas não podemos fechar a orla", afirma a secretária.
 
Chuva, desapropriações (o prazo depende da Justiça) e retirada de postes (depende da empresa de energia) também contribuíram para o atraso no cronograma. "Conseguimos concluir a indenização das 34 casas e todas foram derrubadas. Falta fazer recuo de muros", declara.
 
Sobre os brinquedos e os bancos quebrados por desgaste e vandalismo, em Bairro Novo, Hilda Gomes disse que todos serão repostos. "Porém, os equipamentos danificados não foram colocados durante a obra iniciada em 2010, são da gestão de Luciana Santos."
 
A mureta de proteção da ciclovia será tirada e substituída. "Estamos fabricando novas, seguindo orientação de ciclistas." As peças já compradas serão aproveitadas em outras obras, sem prejuízo financeiro ao município, garante. 

Fonte: Jornal do Commercio

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