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O “time de ouro” de Meirelles

18 de maio de 2016

Devagar que eu estou com pressa. Com essa frase que já virou um mantra, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, aproveitou para resumir como pretende trabalhar com o time que anunciou ontem pela manhã, antes mesmo de os mercados abrirem. Ele confirmou o nome de Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, para a presidência do Banco Central, e de mais três novos secretários que terão como missão principal o ajuste fiscal e o controle das despesas públicas. As indicações para o comando da Caixa Econômica e do Banco do Brasil, porém, foram adiadas, ainda sem previsão de data.

O “time de Meirelles”, formado por executivos e pesquisadores com perfis notadamente liberais – Mansueto Almeida, na Secretaria de Acompanhamento Econômico; Carlos Hamilton, na Secretaria de Política Econômica; e Marcelo Caetano, na Secretaria de Previdência – agradou ao mercado financeiro. Meirelles avisou que Carlos Hamilton será o “formulador da política econômica” e Almeida “vai fazer uma análise das contas públicas”, pois é um especialista na área. Economista e pesquisador do Ipea, Caetano é considerado um dos maiores nomes da área de Previdência e visto com muito bons olhos de especialistas para o cargo.

O economista Marcos Mendes, autor do estudo sobre as pedaladas fiscais, foi confirmado como assessor especial de Meirelles. Já os secretários da Receita Federal, Jorge Rachid, e do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira, continuam nos respectivos cargos em função da experiência que possuem, algo também positivo para o mercado. Na segunda entrevista coletiva desde que assumiu o cargo, Meirelles voltou a dar sinais em direção à reforma na Previdência e corte de despesas, mas não avançou nos detalhes de seu plano de voo para solucionar o buraco nas contas públicas.

O ministro voltou a dizer que a confiança vai evoluir gradualmente com a reforma da Previdência e conforme forem anunciadas medidas fiscais. “A retomada da confiança é algo geométrico. Começa devagar e depois acelera”, disse Meirelles, acrescentando que a prioridade do governo será aumentar o emprego, depois o consumo e a arrecadação. O ministro reforçou que o governo ainda não tomou uma decisão sobre a opção de aumentar a alíquota da Cide, contribuição sobre os combustíveis. Ela seria um plano B caso a volta da CPMF não seja aprovada pelo Congresso Nacional.

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, demonstrou um otimismo que há muito tempo não tinha com uma equipe econômica. “Temos um time de qualidade que não vemos igual desde 2003. A chance de boas notícias na área fiscal aumenta muito, tanto que revisamos a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2017 de 0,6% para 2%’’, comentou. Na avaliação de Fernando Montero, economista-chefe da Tullett Prebon, as escolhas de Meirelles “são unanimidades”, dentro das reformas que o novo governo busca.

Para Thais Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados, a estratégia de avaliar a situação primeiro para anunciar medidas depois talvez até seja adequada, dada a situação política. “Mas também não pode demorar muito. A ansiedade do mercado é grande”, disse. Diante da pressão por medidas, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, pediu “paciência” e “um tempo mínimo”. “Não tem lua de mel com o mercado”, afirmou. (Da redação com agências)

A nova equipe

Marcelo Abi-Ramia Caetano – Secretário da Previdência
É economista e trabalhava no Ipea desde 1997. Caetano é formado pela UFRJ, com doutorado pela PUC do Rio de Janeiro. Desde o início de sua atuação no Ipea, ele se dedicou à área de Previdência Social. A partir de 2012, passou a exercer o cargo de coordenador de Previdência do instituto. Marcelo Caetano é afinado com o pensamento liberal e autor de estudos que defendem reformas na Previdência.

Mansueto Facundo de Almeida Jr. – Secretário de Acompanhamento Econômico
É economista pela Universidade Federal do Ceará e mestre em economia pela USP. Cursou doutorado em políticas públicas no MIT, mas não defendeu tese. É técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea. Já trabalhou como assessor econômico do senador Tasso Jereissati e foi colaborador do programa de governo de Aécio Neves durante sua candidatura à presidência, em 2014.

Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo – Secretário de Política Econômica
É doutor e mestre em economia pela FGV e engenheiro civil pela Universidade Federal do Ceará. Trabalhou no Banco do Estado do Ceará entre 1984 e 1990. Posteriormente passou pela Secretaria do Tesouro Nacional e estava no Banco Central desde 2000. A partir de 2010, assumiu a diretoria de Política Econômica do BC. Deixou o BC em 2015 e foi trabalhar no grupo J&F,  junto de Henrique Meirelles.

Jorge Antônio Deher Rachid – Secretário da Receita Federal
Formado em administração pela Faculdade Cândido Mendes. Entrou na Receita Federal como auditor fiscal em 1986. Antes, foi agente-fiscal da cidade de Vila Velha (ES). Em 2003, passou a ser secretário da Receita e, em 2005, acumulou o cargo da Receita Previdenciária, órgão ligado ao extinto Ministério da Previdência Social. Deixou a secretaria em 2008, na época de Guido Mantega, e foi trazido de volta por Joaquim Levy. 

Otavio Ladeira de Medeiros – Secretário do Tesouro Nacional
É analista de finanças com mestrado em ciências econômicas pela UNB. Possui MBA de finanças pelo Ibmec e extensão na área pela George Washington University. É servidor da secretaria desde 1994 e chegou ao posto de secretário na gestão Nelson Barbosa. Por vezes, ainda que de maneira extraoficial, manifestou-se contrário às políticas do ex-secretário Arno Augustin, acusado de maquiar contas públicas.

Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco

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