Notícias
O quebrador de pedras virou auditor fazendário
20 de agosto de 2016Tem gente que nasce decidido a quebrar pedaço grande de pedra de concreto na marreta, seja ela quão dura for. Tem aquele que descobre a determinação aos 12 anos. Tem quem ignore o tempo esturricante, a escassez e a terra árida de uma comunidade rural e pobre e use o sonho como adubo para colher em outro campo. Tem quem faça da angústia uma oportunidade. E quem vire para trás e pense: “Se eu estivesse em um segundo plano, olhando para mim mesmo há pouco mais de dez anos, não acreditaria como um menino pobre, do sítio, fosse alguém na vida”.
Tem quem tenha vivido a infância inteira sem banheiro em casa, dormido na sala ou cozinha, começado a trabalhar com o pai no campo aos seis anos, enfrentado o descrédito de familiares e amigos e hoje possa comemorar a nomeação no cargo de auditor fiscal da Secretaria da Fazenda estadual, ganhando R$ 17 mil por mês, trabalhando dois dias em tempo integral e folgando sete dias.
Todos esses acima são Ricardo Dantas de Sousa, um paraibano do Sítio Cajazeiras, do pequenino município de São José do Espinharas, de apenas 4.760 habitantes. Um cidadão de 33 anos que desde junho é o novo funcionário público do estado de Pernambuco. Por esforço, por mérito próprio.
Assim que viu o edital para auditor da Fazenda de Pernambuco, para se ter uma ideia, Ricardo passou a conviver com uma foto do prédio da instituição na tela de abertura do seu computador. “Eu precisava manter a motivação. Toda vez que eu ia encerrar o estudo, eu olhava para minha área de trabalho e dizia: ‘tenho de estudar mais um pouquinho para eu entrar por esta porta aí’”, conta, citando a imagem que o manteve firme em meados de 2014.
A notícia da aprovação do concurso foi uma das maiores alegrias da vida dele no campo profissional; a outra, deve?se usar a balança da justiça, foi a primeira vez que passou e foi convocado a assumir um cargo público. Tinha apenas 18 anos. “Aos 18 anos, o que me angustiava era se continuaria o mesmo ritmo de vida do sítio, se conseguiria um emprego. O tempo estava passando…”. Juntou R$ 40, valor alto se considerado o do salário mínimo na ocasião (R$ 240,00), e fez o tal concurso cobrando de si mesmo um bom resultado. Passou. “Foi emocionante. Não tinha internet e um vizinho encontrou comigo num domingo e disse: ‘seu nome saiu na rádio. Você passou’. Perguntei: ‘Passei em quê?’. Ele respondeu: ‘No concurso’”. A lista de aprovados da Companhia de Abastecimento de Água da Paraíba havia sido divulgada na sexta?feira. “Fiquei em quarto lugar. Com esse eu saí da menor idade”. Era algo considerado por todos como inatingível. Ali, ele se deu conta: “Agora eu posso”. Desde então, o filho de seu Lucivaldo e dona Valdeci Dantas não parou mais de poder.
Passou em concurso dos Correios, Banco do Nordeste, Caixa Econômica, Universidade Federal do Semiárido, Justiça Federal, Auditor do Estado do Piauí. Alguns, não assumiu o cargo por questão estratégica e chegou a assumir outro (da Justiça Federal, nível médio) com salário mais baixo só para ter tempo de estudar mais para se tornar um dia auditor de uma instituição que não o levasse para longe da sua família e raízes. Objetivado, concluiu dois cursos superiores, de Matemática e Administração, e está para encerrar o terceiro, o de Direito. Ricardo só pensava em se gabaritar para ter conhecimento suficiente e ser aprovado como auditor.
Quando conseguiu, ligou para a sua mãe, como de costume, para lhe contar a aprovação. “Eu já sabia”, disse ela, como se já soubesse da capacidade de Ricardo. Era frase habitual dela; ele sempre a corrigiu. “Mãe, não é assim. Tem muita gente querendo passar. É muito difícil”. Mas entende que, como é um mundo distante do dela, dona Valdeci não sabe quantas noites e horas ele se dedicou para poder chegar onde queria. Que a dedicação começou lá atrás, quando ajudava na colheita do algodão ou a contrariou e aceitou o emprego para quebrar brita, aos 12 anos. Quando ele estudou com livros velhos e, na falta de outros, releu todos. Ou manteve?se sobranceiro, ainda que o ônibus escolar quebrasse e o deixasse sem almoço até o anoitecer. Ou na época em que fez um curso pedagógico para ensinar crianças por falta de alternativas e deu um basta porque sabia que esse não era seu dom. Quando descobriu sozinho que só ele poderia mudar seu futuro. “Internet lenta não é condição adversa. É preciso foco”, sentencia Ricardo Dantas de Sousa, inspiração para muito além de São José do Espinharas.
Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco
Notícias
Governo tem janela para acelerar ajuste fiscal, avalia secretário do Tesouro
Os desafios seguem muitos, mas o Brasil vive hoje conjuntura mais propícia para acelerar o ajuste fiscal e construir superávits […]
Senado aprova reestruturação de carreiras federais com 13 mil novos professores
O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (10) um projeto de lei que reestrutura parte do serviço público federal e […]
A aposta de auditores fiscais em defesa das mulheres
Com apoio da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais e do Fórum Nacional das Carreiras de Estado, a Associação […]
Análise: Funcionalismo público reage ao cerco a penduricalhos
O funcionalismo público brasileiro tem reagido fortemente às recentes decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) que visam restringir o pagamento […]