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O gargalo do milho

23 de março de 2008

Os dirigentes da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe) terão uma conversa esta semana com o governador Eduardo Campos. Antes de qualquer informação mais detalhada sobre o que foi mesmo oferecido no pacote de incentivos às empresas Sadia e Perdigão, os avicultores estão interessados em saber que ajuda o ex-ministro de Ciência e Tecnologia pode dar para que Pernambuco volte a ter um programa regular de importação de milho capaz de abastecer o parque avícola, que ano passado produziu 300 mil toneladas de carne.

Segundo o presidente da Avipe, Saulo Perazzo Valadares, o setor deseja importar 600 mil toneladas/ano de milho, substituindo as compras que faz no mercado interno pagando 12% de ICMS e 9,20% de PIS/Confins. O setor tem poucas esperanças que o governo troque parte do que é exportado por uma venda desonerada de tributos para a produção de aves, mas acredita que voltando a importar o governo de Pernambuco poderá abrir mão dos 3% de ICMS que cobraria a título de incentivo à produção local. O problema é que a linha sobre qual tipo de milho transgênico o setor poderia importar ainda é muito tênue.

Perazzo, que também lidera o Grupo Serrote Redondo, que além de integração de granjas possui um abatedouro com uma linha de 150 itens nas marcas Do Mato e Da Terra, uma usina de biodiesel e criação de gado bovino, diz que o setor tem expertise para dobrar sua produção, mas o gargalo do milho é quem trava essa perspectiva. E ele vem de muitos anos.

Exportação isenta milho tributado

O caso da exportação de 10,8 milhões de toneladas de milho orgânico brasileiro (especialmente para a Europa), em 2007, num crescimento de 308% sobre 2006, revela enorme contradição na economia brasileira. O milho exportado com dólar baixo e total isenção de imposto é também vendido no mercado interno com 21,2% de imposto para a indústria, que não pode importar por causa das restrições aos transgênicos. No Nordeste, o milho tem que vir de caminhão, cujo frete precisa ser equalizado pelo governo federal.

Fonte: Jornal do Commercio

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