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O desafio da nova Frente

6 de outubro de 2014

O ex-governador Miguel Arraes soltou uma célebre frase ao comentar a aliança de Jarbas Vasconcelos (PMDB) com o PFL no início da década de 1990, quando nasceu a União Por Pernambuco: "Dr. Jarbas pegou o caminho da perdição". Duas décadas depois, com muitas reviravoltas políticas no meio, emerge das urnas uma nova Frente Popular de Pernambuco, cujo nome traz referências a Arraes e, por tabela, a Eduardo Campos. Mas, por ironia, ela guarda na essência a cara da antiga União Por Pernambuco, a aliança censurada por Arraes, que sustentou as vitórias e os governos de Jarbas e a principal opositora dos socialistas no Estado até 2012, quando o PMDB "fez o caminho de volta" e apoiou a eleição de Geraldo Julio (PSB) para a Prefeitura do Recife.

Depois do PSB, os partidos com maior peso nacional dessa nova aliança de 21 siglas são o PMDB, o PSDB e, em menor escala, o PPS e o DEM (antigo PFL), justamente o núcleo duro da União Por Pernambuco. E levando em consideração que antigas lideranças da União comandam outros partidos da nova aliança, caso do PSD, com o deputado eleito André de Paula, e do Solidariedade (SD), com o deputado federal Augusto Coutinho, ambos ex-PFL, o DNA da antiga União é majoritário dentro da nova aliança política.

Dos "autênticos" da "antiga" Frente Popular, restam além do próprio PSB, o PCdoB, da deputada federal Luciana Santos, os dissidentes do PDT – que não apoiaram Armando Monteiro (PTB) – caso do presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Uchoa, e, com muito boa vontade, o PR, comandado pelo ex-pefelista Inocêncio Oliveira, que apoiou Eduardo a partir de 2006.

Para o cientista político Hely Ferreira, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), essa nova aliança é o retrato mais evidente das fragilidades do sistema político-partidário brasileiro. Constitui-se mais como um bloco de partidos com interesses pragmáticos na esfera eleitoral do que como um autêntico bloco político. E administrar esse grupo heterogêneo de 21 partidos, com mistura de antigos adversários e novos aliados, será o grande desafio de Paulo Câmara, logo ele um iniciante em condução de costuras políticas.

"Essa aliança mostra a grande fragilidade dos partidos que não são ideológicos. Ideologia é só uma necessidade para saber onde nasceu e de onde veio. Essa coligação foi formada apenas para se chegar ao poder", definiu ele.

A mesma opinião tem o também cientista político Juliano Domingues, da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). "A Frente Popular é formada por um grupo extremamente heterogêneo e bastante numeroso. Pelas características da coligação, é possível afirmar que se trata de uma aliança motivada muito mais por questões eleitorais, o que não surpreende", avalia.

"Grupos com maior expectativa de poder (caso da Frente Popular) tendem a atrair um número grande de aliados, num movimento adesista instrumental, pragmático", completou.

FATURA

Nessa nova composição, não há dúvida que o grande protagonista será o PSB. Mas restam dúvidas sobre o tamanho do naco de poder que cada neo-aliado terá nas esferas do Executivo e Legislativo. Até porque não está claro ainda a pauta de reivindicações que cada um dos partidos da aliança apresentará a Paulo Câmara – a famosa fatura que será cobrada ao governador eleito.

"Ao declarar apoio e integrar uma coligação, partidos alimentam determinadas expectativas. Ninguém se alia sem esperar algum retorno. Certamente, um dos principais desafios de Paulo Câmara será dar conta das demandas de tantos grupos políticos distintos", comenta Juliano Domingues.

Fonte: Jornal do Commercio

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