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O bloco da inflação no carnaval
26 de fevereiro de 2014A inflação não brinca nem no carnaval e caiu em cheio no bolso do folião. Para quem não dispensa uma cerveja gelada nas ladeiras de Olinda ou nos polos do Recife, a notícia não é nada boa. Nos últimos 12 meses, a bebida, juntamente com o chope, acumulou alta de 14,29%. Para quem faz a compra no supermercado, ficou ainda mais cara: 17,43%. Os preços altos não livraram nem os abstêmios: refrigerantes e água aumentaram 11,27% fora de casa e a polpa de fruta congelada subiu 1,71% nos supermercados.
Também muito consumidas no carnaval, as bebidas destiladas ficaram 3,24% mais caras. Preservativos e lubrificantes também entraram na lista, contribuindo com um aumento de 8,92%. Como esses, produtos e serviços consumidos na folia de Momo (veja quadro) inflacionaram, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Semanal, o IPC-S, calculado pelo Ibre/FGV na capital pernambucana. A variação foi de 11,05% desde fevereiro do ano passado, acima da média nacional, de 5,6%.
Quem decidiu deixar a folia de lado ou vai curtir em outra cidade também pagou caro. O grupo passagem aérea foi o campeão de elevação de preços, com variação de 18,32%. A hospedagem também ficou 9,38% mais cara. Mas foi o setor de alimentação que mais puxou a alta, comprovando os sucessivos reajustes de preços em vários produtos que encareceram a feira e não passaram desapercebido pela população nos últimos 12 meses.
Por conta da grande procura nos próximos dias, itens de alimentação e bebida ainda podem subir um pouco mais. “Aumentos de preços no carnaval ocorrerão dependendo da procura do consumidor, mas não deve acontecer uma elevação brusca, até porque a população percebeu que no último ano os preços subiram bastante”, pontua André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas que anunciou o resultado ontem. Entram na pesquisa preços de 14.137 produtos e serviços.
Para foliões ou não, pelo menos uma notícia boa. Na terceira semana de fevereiro a inflação deu uma trégua. O IPC-S registrou variação de 0,55%, inferior ao da semana anterior e também à média nacional, de 0,69%. A tímida desaceleração ocorreu, segundo as estatísticas do Ibre/FGV, porque três das oito classes de despesas componentes do índice perderam força na capital pernambucana.
Os destaques da redução foram os grupos de educação, leitura e recreação, com queda de 1,96% para 0,55%, alimentação (redução de 0,39% para 0,11%) e despesas diversas, cuja redução foi de 1,04% para 0,58%.
Saibamais
IPC-Recife (fev. 2013/jan. 2014)
Item Variação
Passagem aérea 18,32%
Cerveja (supermercados) 17,43%
Sanduíches 17,75%
Cerveja/chope (fora de casa) 14,29%
Polpa de fruta congelada (supermercados) 11,71%
Café da manhã 11,58%
Refrigerante/água (fora de casa) 11,27%
Refrigerante/água (supermercados) 9,97%
Sorvetes (fora de casa) 9,84%
Refeições (bares e restaurantes) 9,39%
Hotel 9,38%
Preservativo e lubrificante 8,92%
Protetor solar 7,14%
Sucos de fruta (supermercados) 6,94%
Bebidas destiladas (supermercados) 3,24%
IPC-Recife (no período): variação de 5,84%
Variação média dos itens selecionados: 11,05%
Fonte: Diario de Pernambuco
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