O aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica da economia, a Selic, fez os consultores de investimento pegarem na calculadora para ver o que mudou no mercado de renda fixa. Se até a semana passada os títulos do Tesouro Direto, que podem ser comprados pela internet, estavam dando um ganho real bem pequeno, depois da movimentação do Banco Central contra a inflação, aparecem algumas opções de títulos, principalmente aqueles vinculados à Selic, como as LTF. "Como existe a expectativa de novos aumentos na taxa, o investidor pode ganhar dinheiro junto. É a opção mais lógica e cautelosa. Mas neste momento de transição, o melhor é ser o mais conservador possível", avalia o consultor Leandro Lima, da Finacap.
Isso acontece porque ainda não se sabe como se dará os novos ciclos de aumento de juros. O mercado sente que haverá novos aumentos pela nova postura do Banco Central, que desde a última reunião do Copom, passou a se preocupar em trazer a inflação para dentro da meta. Para os analistas, é importante esperar a ata do Copom que vai sair nesta quinta-feira e analisar com mais precisão os novos passos da política monetária.
"As coisas estão muito instáveis. Existe a previsão de aumentos maiores na taxa e por isso quem comprar um título de renda fixa pode se arrepender porque pode pegar uma coisa melhor daqui a um mês. Uma LTN-B, o título mais consumido, paga o IPCA mais juros pré-fixados. Para a LTN, que também é pré-fixada, o melhor momento de entrar será um pouco antes dos juros se estabilizarem. Comprar naquela semana em que se espera a manutenção das taxas. Isso acontece porque se eu compro hoje a 8% e o Copom passa os juros para 8,5%, eu vou perder esse 0,5%", diz Lima.
Bruno Lacerda, da BGA Investimentos, também vê um ganho na renda fixa pós-fixada pela Selic e outros produtos financeiro que acompanham a taxa, como a LCI (letras de crédito imobiliário) e LCA (letras de crédito agrário). "São produtos que têm seus riscos, mas superam o CDI", diz. "Tirando os produtos pré-fixados (as LTNs), que não deixam de ser atrativos, a gente prefere indicar aqueles que seguem a Selic, pois o aumento dos juros é o melhor remédio para conter a inflação neste momento. Então, a tendência é de aumento", salienta Lacerda. O consultor explica que as LCIs e LCAs são produtos de renda fixa que pagam de 98% a 100% do CDI, dependendo do banco emissor, e que são isentos de Imposto de Renda.
A visão de Eduardo Malheiros da FuturaInvest é um pouco mais radical. Na sua opinião o mercado de renda fixa para o pequeno investidor pessoa física deixou de ser atraente desde o ano passado. "Num momento em que o mercado espera taxas de 8,5% (Selic) e o investidor pagando IR de 20% sobre lucro, seu ganho líquido cai para 6,8%. Com inflação projetada a 5,8% (IPCA), o ganho real é de apenas 1% ao ano. Ninguém fica satisfeito com um ganho desse", opinou. Para ele o investidor brasileiro tem de se acostumar com o risco e buscar a renda variável através de fundos multimercado que têm uma faixa de risco pequena e, podem gerar ganhos reais acima de 2%.
Fonte: Jornal do Commercio