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Nordeste sentirá efeito da crise na economia

5 de março de 2009

 




Aeconomia de Pernambuco deve crescer menos em 2009, mesmo com todos os investimentos em infraestrutura que estão sendo feitos no estado. Acompanhando a tendência em todo o Brasil de redução da expansão do Produto Interno Bruto (PIB), todo o Nordeste deve sofrer os efeitos da crise econômica mundial. Segundo a previsão do instituto de pesquisas Datamétrica, o PIB pernambucano deve crescer 4,29% em 2009, contra 7,36% em 2008.

Trata-se de uma queda de 41,7%. Mesmo assim, ainda teremos uma situação privilegiada se comparados ao país inteiro e mesmo aos outros estados da região. O Brasil, ainda de acordo com os economistas da Datamétrica, crescerá apenas 1,80% em 2009, contra 5,62% ano passado, despencando nada menos que 68%. Os nordestinos, em média, devem experimentar um crescimento de 3,12%, uma redução de 49% em relação aos 6,12% estimados para 2008.

As previsões, que incluem também 2010, foram feitas com base nas estatísticas econômicas disponíveis (indústria, arrecadação) e com base em comportamentos anteriores. Os resultados podem ser, em certo sentido, até considerados otimistas, já que, no último boletim Focus, do Banco Central, os analistas previram um crescimento no PIB para 2009 de 1,50%. Apenas o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) é mais otimista, com uma perspectiva de 2% de crescimento.

De forma geral, as previsões de crescimento do PIB nacional realizadas pelos especialistas vêm sendo reduzidas a cada ocasião desde que a crise passou a assolar o planeta. Em dezembro, a própria Datamétrica previa um crescimento de 3,49% para o Brasil e 4,72% para Pernambuco. Cerca de três meses depois, os números já são bem mais modestos, especialmente no país como um todo.

Para o economista Alexandre Rands, presidente da Datamétrica, os efeitos da crise no país não irão desvanecer tão cedo. “Pelo menos até 2012 a crise vai continuar afetando o Brasil. Continuaremos crescendo, porém mais devagar. Uma mudança de trajetória assim não se recompõe com facilidade”, disse Rands. Em 2010, conforme as previsões, as economias estadual, regional e nacional devem viver uma certa recuperação, mas ainda ficarão distantes dos patamares de 2008.

Vale lembrar que, tanto para este ano e o próximo como para 2008, os números são estimativas realizadas pelos economistas. Os resultados oficiais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre o PIB relativos a 2008 só devem ser divulgados no segundo semestre de 2010. Os governos de Pernambuco, Bahia e Ceará, por sua vez, devem publicar, nos próximos meses, sua estimativa de crescimento no ano passado.

Estado favorecido





De acordo com as estimativas da Datamétrica, a crise econômica deve ser menos sentida em Pernambuco e no Nordeste do que no Brasil de forma geral. Isso ocorre, segundo Alexandre Rands, por três razões principais: os níveis de impacto da crise nos diferentes setores econômicos, o aumento do salário mínimo este ano e a perspectiva de investimentos em gastos públicos. Todos esses fatores favorecem a região de forma particular.

“O setor de bens de capital (usados para a produção de outros bens ou serviços) é o que mais sofre com a crise, e isso o Nordeste não tem tanto. Depois, o aumento do mínimo será substancial (de R$ 415 para R$ 465), o que tem um impacto maior em nossa região. Além disso, o governo brasileiro já se mostrou disposto a reduzir o superávit primário para aumentar investimentos em programas sociais”, analisou Rands.

O que está determinando a liderança de Pernambuco na região são mesmo os investimentos estruturadores que o estado vem recebendo. “Pernambuco está vivendo um momento muito especial. Os grandes projetos, como a refinaria, o estaleiro, a Hemobrás, estão começando a fazer a diferença”, explicou Rands, acrescentando que esse crescimento deve, em 2010, estender-se para os estados próximos, o que se reflete nas estimativas realizadas pela Datamétrica.

Nos outros estados nordestinos, o mais afetado pela crise de acordo com as estimativas da Datamétrica, será o Maranhão, devido à dependência de sua economia pela siderurgia e a agricultura de grãos, fortemente afetadas pela crise. Já o Rio Grande do Norte, de acordo com Rands, deve sofrer com as perdas do petróleo e do gás e com a saturação do turismo. Ainda segundo o economista, o PIB per capita do Nordeste encontra-se atualmente em 47% da média nacional, e precisará de pelo menos 10 anos para superar os 50%, se continuar crescendo no ritmo atual.

Fonte: Diário de Pernambuco

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