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No aperto, controle as finanças

10 de julho de 2016

Se você faz parte do time de 11,4 milhões de brasileiros desempregados, pode usar o tempo de vacas magras para ajustar suas finanças. O exercício começa com o planejamento para evitar os gastos supérfluos, livrar-se das dívidas e, se possível, separar uma parte do dinheiro das verbas indenizatórias para as emergências. Afinal, o tempo de recolocação no mercado de trabalho poderá se prolongar por mais de 12 meses nesta época de recessão. A situação fica mais complicada para as pessoas que estão endividadas, porque terão que pagar as contas atrasadas e manter as despesas correntes. Pior se as dívidas se concentram no cartão de crédito e no cheque especial. Os juros altos se transformam numa bola de neve.

O Diario consultou especialistas para saber como lidar com as finanças durante o desemprego. O educador financeiro Arthur Lemos, da Dsop Educação Financeira, ensina que o primeiro passo é fazer uma reflexão sobre o atual padrão de vida. Em seguida, o desempregado deverá quantificar o montante que dispõe para as suas despesas básicas. “É fundamental fazer um diagnóstico financeiro para ver qual a disponibilidade de dinheiro e quanto custa manter o padrão de vida. A segunda providência é saber se possui dívidas vencidas e levantar o montante para saber o tamanho do problema.”

O encarregado de logística Genilson Carneiro da Silva, 42, seguiu à risca a dica do educador financeiro. Demitido sem justa causa em fevereiro, ele buscou os credores para renegociar as dívidas de longo prazo: o financiamento do carro e um empréstimo consignado com o banco. Parte do dinheiro da indenização foi usado para antecipar 23 parcelas do carro e reduzir os juros das parcelas seguintes. “Eu procurei o banco para renegociar a dívida do consignado e vou pagar em 48 meses.”

Rafael Seabra, autor do blog Quero Ficar Rico, recomenda que seja separado o que é realmente essencial do que é supérfluo. Ele lembra que o supérfluo pode variar de pessoa para pessoa, mas as despesas óbvias com o cartão de crédito, a TV a cabo e até mesmo com o automóvel podem ser cortadas. “Enquanto estiver desempregado, o carro deixa de ser necessário e gera despesas altíssimas com parcelas do financiamento, combustível, seguro, tributos e manutenção.”

Família
Foi exatamente o que fez Genilson. Para ajustar o orçamento doméstico, ele deixou o carro na garagem. “A geladeira fica desligada à noite, a máquina de lavar é só uma vez por semana, e o micro-ondas fica fora da tomada. Só ligamos a televisão da sala”, conta. Na mesma situação, o motorista desempregado Luiz Gustavo de Moura, 55, teve que tirar a filha de 11 anos da escola privada. “A gente saía para comer fora e cortou. Agora o lazer é na casa da família.”

Outra dica importante é congelar as ferramentas de crédito. É o que recomenda Arthur Lemos, da Dsop. Ele lembra que a renda é incerta e, neste momento, não é hora de usar o cartão, por exemplo. Rubevânia Maria da Silva, 44, desempregada, tirou o plástico da carteira. “Eu paguei as dívidas no cartão e não estou comprando nada.” A preocupação da auxiliar-administrativa é com o financiamento da casa própria. Ela paga R$ 426 por mês da prestação e tem receio de ficar inadimplente. Desempregada desde janeiro, Sônia Maria da Silva, 42, está segurando as novas despesas. “Guardei o FGTS na poupança e estou evitando fazer novas compras. Por ora, eu consigo pagar as despesas de casa enquanto procuro emprego.”

Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco

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