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Nem a diversão a crise está poupando

18 de maio de 2015

O que você faz quando deseja relaxar depois de uma semana inteira de trabalho? Vai ao cinema ou ao teatro? Convida os amigos para jantar fora de casa? Independentemente de qual for a resposta, os gastos com lazer e outros supérfluos já estão sendo repensados pelos brasileiros graças à crise econômica e o encolhimento do poder de compra. É o que diz uma pesquisa realizada pelo site especializado em controle de finanças pessoais Guia Bolso, que analisou o comportamento de 12 mil usuários do aplicativo em relação a investimentos com diversão, cuidados pessoais e idas a bares e restaurantes. 

De acordo com o co-fundador do Guia Bolso Benjamin Gleason, as finanças dos usuários do aplicativo foram monitoradas de janeiro até março deste ano e revelam um cenário atípico se comparado a anos anteriores. “Janeiro ainda é um mês que apresenta muitos gastos, impulsionados principalmente pelo 13º salário, mas em fevereiro, mesmo com as festividades do carnaval, já se percebe um encolhimento”, comenta. 

Ainda segundo Gleason, a movimentação das finanças em março confirma que o brasileiro está guardando dinheiro para o ano difícil. “No início do ano, o lazer comprometia 17,2% do orçamento. Em março, os números são de 10,9%”, completa. As categorias mais afetadas, na ordem, são de alimentação fora de casa, cuidados pessoais, como idas ao salão de beleza e academia e, por fim, gastos com televisão à cabo e internet banda larga. A pesquisa revela também que o valor médio mensal das saídas passou de R$ 610 para R$ 509. 

Prioridade
A funcionária pública e revendedora de cosméticos Ilza Maria, 56, gosta de frequentar o teatro e ir a shows, mas precisou frear os gastos com a diversão para ter controle financeiro. “Estou comprometida com a prestação de um carro e de uma casa. Também senti um aumento sensível na conta de energia elétrica, então resolvi recuar o consumo de supérfluos em geral”, revela.
Elencar prioridades de gastos é a solução para não ficar no vermelho e, ainda assim, conseguir ter acesso a opções de lazer e relaxamento. A dica é dada pelo professor do curso de economia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), José Alexandre Ferreira. Para ele, até mesmo as despesas fixas, como moradia, transporte e alimentação podem ser flexibilizadas. “Realmente não estamos em um ano propenso ao consumo, mas cada um pode definir suas prioridades e fazer concessões”, explica.

Para driblar o orçamento apertado, Ilza segue a dica. “Dou prioridade a programações gratuitas ou que integrem festivais, que costumam ser mais baratas. Enquanto uma peça de teatro normalmente sai a R$ 50 ou mais, em festivais, o custo é em média R$ 20”, revela. Além disso, ela conta que também tem economizado nas idas ao salão de beleza. “Por trabalhar revendendo cosméticos, preciso estar sempre bem cuidada, mas tenho optado por fazer alguns procedimentos em casa e a minoria no salão”, completa.

Fonte: Diario de Pernambuco

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