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Mulheres e homens com o contracheque desigual
27 de março de 2014A mão de obra feminina é pouco valorizada monetariamente no mercado de trabalho brasileiro. Para comprovar a discriminação de renda entre os gêneros, o Dieese comparou grupos ocupacionais homogêneos nas áreas metropolitanas. São tipos de atividades profissionais onde há equilíbrio entre a posição das mulheres e dos homens. O estudo comprova que o rendimento por hora das trabalhadoras é, em média, 25% menor. Na Região Metropolitana do Recife (RMR) a situação é menos ruim. A renda média hora da mulher corresponde a 18% do que ganha o homem.
Quando se compara os anos de estudo com a renda média por hora, a mulher também fica em desvantagem. Na RMR, ela tem 10,6 anos de estudo contra 10 anos do homem e ganha R$ 6,03 por hora, enquanto ele recebe R$ 7,31. “Em primeiro lugar, o Recife tem 52,7% de grupos ocupacionais homogênos, o menor percentual das regiões metropolitanas. Na região, a divisão do trabalho entre homens e mulheres fica mais nítida”, destaca Lúcia Garcia, pesquisadora do Dieese.
Outro recorte da pesquisa revela que apenas em um grupo ocupacional no Recife (encarregado) o salário da mulher supera o do homem. Estão incluídos neste grupo, por exemplo, os trabalhadores que supervisionam o reposicionamento de mercadorias no supermercado. Neste caso, a diferença do renda por hora é de (0,3%). “Esse dado mostra como o Recife está distante de uma situação favorável para a mulher”, reforça Lúcia.
No grupo de vendedores, onde as mulheres são a maioria e têm mais anos de estudo, a renda feminina fica abaixo da masculina. No Recife, a diferença é 25,7%. O rendimento médio por hora feminino é de R$ 3,58, enquanto o masculino fica em R$ 4,82. No time dos pesquisadores e outros profissionais de nível técnico, a mulher ganha R$ 7,28 por hora e o homem recebe R$ 9,78 por hora para desempenhar a mesma atividade.
Lúcia destaca outras ocupações majoritariamente femininas: serviços gerais e enfermagem. Nessas áreas, a presença masculina chega a 12% na RMR. Mas enquanto eles ganham R$ 5,60 por hora, elas recebem R$ 3,75. Situação inversa acontece nas profissões nitidamente masculinas (engenharia e construção civil), cuja participação feminina é de 4,8%. Neste caso, o homem recebe R$ 5,56 e a mulher R$ 5,96, ou R$ 0,46 a mais. “O estudo mostra que a disparidade de renda não se deve à diferença vocacional. Mesmo quando está próxima do homem, a mulher ganha menos”, reafirma a pesquisadora do Dieese.
Fonte: Diario de Pernambuco
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