Marca SINDIFISCO Sindicato dos Auditores Fiscais e Julgadores Tributários de Pernambuco

Notícias

Muita conversa, nenhuma proposta

18 de fevereiro de 2016

O governo não deu sinais concretos de que fará a reforma da Previdência Social para valer. Ontem, durante o Fórum de Debates sobre Emprego, Trabalho e Renda e Previdência Social, os ministros da presidente Dilma apresentaram uma lista de sete temas: demografia e idade média das aposentadorias, financiamento da Previdência, diferença de regras entre homens e mulheres, pensões por morte, Previdência rural, regimes próprios de Previdência e convergência dos sistemas previdenciários. Os temas serão discutidos pelos integrantes do Fórum nos próximos 60 dias. Mas os ministros avisaram que a proposta ainda não está pronta e a reforma deve ser gradual.

“Esse roteiro de sete pontos de discussão será discutido por uma equipe de técnicos do governo e dos empresários e que vai organizar todas as informações referentes ao sistema para todos os representantes da sociedade”, disse o ministro do Trabalho e da Previdência, Miguel Rossetto, avisando que os efeitos dessa reforma ocorrerá “daqui a alguns anos”. Na abertura do Fórum, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, avisou que o projeto da reforma da Previdência ainda não está desenhado, preocupando os especialistas. O governo precisa apresentar propostas concretas para evitar um colapso nas contas públicas, que caminham para o terceiro deficit primário consecutivo.

“Não há nenhuma proposta (da reforma) a priori. O que há é um conjunto de visões sobre o que nós precisamos tratar com maturidade para alcançar um resultado positivo”, disse Berzoini. Segundo o ministro, o país vive uma mudança de paradigmas e o principal desafio é o demográfico, pois a população está com uma expectativa de vida maior devido às “conquistas do passado”. Berzoini culpou o cenário externo pela crise atual do país. O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, tentou mostrar otimismo e destacou que a oportunidade do Fórum não podia ser desperdiçada porque o momento atual da economia brasileira é duro e difícil.

Há dias, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, vem defendendo que as mudanças da Previdência sejam graduais e que a idade mínima para a aposentadoria, de 65 anos, passe a vigorar apenas em 2026. Em seu discurso no Fórum, ele destacou que a reforma é necessária para garantir a sustentabilidade da Previdência e, e assim, “melhorar as contas públicas no futuro, o que tem um impacto imediato na economia”. Representantes de mais de 40 entidades como centrais sindicais, associações de classe, federações e empresários saíram decepcionados. “Acho que o governo jogou um balão de ensaio para ver a reação das pessoas”, comentou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria de Construção, José Carlos Martins.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, estava bem insatisfeito na saída do evento. “Quero deixar bem claro que nós da CUT não temos concordância com implantação de idade mínima e nem igualar mulheres e homens, porque ela têm tripla jornada. Os homens não dividem as tarefas com as mulheres quando elas chegam em casa. Todo mundo sabe disso.” A economista Monica de Bolle demonstrou pessimismo com a falta de uma proposta concreta da reforma da Previdência. Para ela, quando Barbosa sinalizou que as mudanças para 2026, ele mostrou que o governo não está empenhado em conduzir esse processo, que será bastante desgastante.

Fonte: Diario de Pernambuco

Notícias