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MPPE sugere a suspensão de obra de corredor

27 de setembro de 2013
O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou ontem, à Secretaria Estadual das Cidades, suspender o início da construção das estações de embarque e desembarque de passageiros do Corredor Exclusivo de Ônibus Norte-Sul, no trecho da Avenida Agamenon Magalhães, área central do Recife. "Essa intervenção vai exigir supressão de vegetação numa Área de Preservação Permanente, as margens do canal, e precisamos saber o que isso significa", afirma o promotor Geraldo Margela Correia.
 
Ele estabeleceu prazo de 15 dias, a contar do recebimento da recomendação, para a Secretaria das Cidades apresentar à Promotoria de Defesa da Cidadania (Meio Ambiente e Patrimônio Histórico-Cultural) o projeto das nove estações previstas para a Avenida Agamenon Magalhães. "Solicitamos cópias das licenças de órgãos ambientais (encaminhadas e concedidas) e a lei que permite a retirada de vegetação da APP, para definirmos nosso posicionamento."
 
A recomendação (nº 004/2013) está publicada na edição de ontem do Diário Oficial do Estado. O MPPE foi provocado por três entidades ambientalistas, a Associação de Cooperação Ecológica e Social (Ecos), Associação Pernambucana de Defesa da Natureza (Aspan) e Associação Mangue Ferido. "O governo pede o corte de árvores e a prefeitura autoriza, a gente vê apenas uma instância legitimando a outra. Acionamos o Ministério Público, fiscal da lei, para acompanhar de perto as intervenções", declara Alexandre Moura (Ecos).
 
Danilo Cabral, secretário Estadual das Cidades, continua sem falar sobre o assunto. Informações repassadas pela assessoria de imprensa confirmam a intenção do governo de iniciar a obra no fim do próximo mês. De acordo com a assessoria, a secretaria não pretendia começar o trabalho sem a licença ambiental da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife (Semas).
 
O governo não divulga a quantidade de árvores que serão suprimidas da Agamenon e informa que os pedidos de licença serão encaminhados à prefeitura a partir de hoje ou no início da próxima semana. Segundo a assessoria, serão solicitadas nove licenças, uma para cada estação, especificando a quantidade e o tipo de vegetação que o Estado quer derrubar. A compensação é definida pela Secretaria de Meio Ambiente.
 
Nas margens do canal da Agamenon Magalhães há pau-brasil, vários tipos de palmeiras, coqueiro, craibeira, bambu, chapéu-de-napoleão, ipê e jasmim-vapor, entre outras espécies. Tem também árvores frutíferas como mangueira, goiabeira e azeitoneira. O pau-brasil (Caesalpinia echinata), plantado nas margens do canal pela Prefeitura do Recife, há mais de 30 anos, é uma leguminosa nativa da mata atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo.
 
O governo do Estado não informou, ainda, se as árvores e palmeiras que serão cortadas estão sadias ou doentes. No trecho do Corredor Norte-Sul que passa pela Avenida Cruz Cabugá, a Secretaria das Cidades erradicou 33 árvores e palmeiras, para construir estações de passageiros. 

Fonte: Jornal do Commercio

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