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Ministério Público quer impedir banho de mar

24 de julho de 2013
Após o registro 59º ataque de tubarão em Pernambuco, registrado na última segunda-feira e que terminou na 24ª morte – da paulista Bruna Silva Gobbi, 18 anos – o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou ao Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) e ao governo do estado uma medida polêmica. O promotor do Meio Ambiente, Ricardo Coelho, encaminhou ontem ofício contendo a recomendação de proibir o banho de mar nos trechos mais perigosos das praias da Região Metropolitana do Recife, em especial a de Boa Viagem, que lidera o ranking, com 24 ataques (quatro em cada dez).
 
O secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, afirmou que não vê necessidade da medida. A presidente do Cemit, Rosângela Lessa, também questionou a eficácia da ação. Ela admitiu que a embarcação Sinuelo, usada com a participação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (URFPE) para o monitoramento de tubarões, que são capturados e levados para longe da costa recifense, não funciona há sete meses.
 
Ricardo Coelho propôs que o Cemit identifique, por meio das estatísticas contabilizadas desde 1992, os locais mais vulneráveis aos ataques. A partir daí, caberia ao estado criar um decreto impedindo que os banhistas entrem nas água nesses trechos. “É preciso que sejam adotadas providências para evitar novas vítimas. Se o governo do estado não criar o decreto, entrarei com uma ação civil pública para exigir o cumprimento da recomendação”, afirmou. De acordo com dados do Cemit, a turista Bruna Gobbi foi a primeira mulher a morrer no estado por ataque de tubarão e a segunda a ser atacada. Quatro vítimas não tiveram o sexo identificado.
 
O secretário de Defesa Social alegou que os investimentos no Corpo de Bombeiros para garantir a segurança na orla da RMR, além do trabalho de orientação aos surfistas e banhistas, já é suficiente para evitar acidentes. A presidente do Cemit destacou que não há como impedir o acesso dos banhistas ao mar. “Quem vai controlar isso? Meia dúzia de bombeiros que nós temos? Uma coisa é proibir o surfe, que pode ser controlado. Mas, uma população querendo tomar banho? Temos que nos empenhar em educação. Não podemos ficar jogando a responsabilidade para o estado. Acho que temos que crescer. Se você vê as 88 placas (sinalizando para os perigos) e não entende…”. A turista foi mordida pelo tubarão em uma área onde havia placas que sinalizavam para os riscos de ataques do animal. 
 
Justiça
A família de Bruna pretende processar o estado. O tio da vítima, o comerciante Davi Leonardo Alves, disse ontem que ainda não consultou um advogado, mas que o governo é responsável pela morte da sobrinha, já que “vários casos semelhantes foram registrados nos últimos anos e nada foi resolvido”. O secretário Wilson Damázio explicou que esse assunto ficará a cargo da Procuradoria do Estado, mas que não vê razão para a abertura de um processo. “Todas as medidas preventivas para evitar um acidente foram tomadas”, disse. 

Fonte: Diario de Pernambuco

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