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Mercado projeta alta de 0,5 ponto nos juros

10 de julho de 2013
BRASÍLIA – De olho nas expectativas de inflação para o ano que vem e preocupado com a volatilidade do câmbio, o Banco Central (BC) promoverá hoje a terceira alta consecutiva da taxa básica de juros. Para a maioria dos analistas do mercado financeiro, a elevação será de mais 0,5 ponto percentual, levando a Selic para 8,5% ao ano. Se o patamar se confirmar, o juro brasileiro voltará para o nível de maio do ano passado.
 
Segundo o AE Projeções, apenas 3 de 91 instituições financeiras consultadas acreditam em um aperto monetário maior, com um aumento de 0,75 ponto percentual da Selic. Para a maioria, a pífia atividade econômica do País nos últimos meses barra uma ação mais conservadora do BC.
 
À primeira vista pode intrigar a expectativa de mais um aumento de juros justamente quando o governo se compromete a fazer um esforço fiscal mais transparente e que a inflação corrente dá sinais de alívio – em junho, o IPCA (indicador oficial da inflação) ficou abaixo das previsões do mercado financeiro e as expectativas para julho e agosto também são de preços mais controlados.
 
Alguns especialistas lembram, porém, a teoria de que as ações tomadas agora pela autoridade monetária geram efeitos sobre a economia em um período de seis a nove meses, ou seja, no início de 2014.
 
Vale ainda citar que, na segunda-feira passada, a pesquisa Focus mostrou que o grupo de economistas que mais acertam as projeções de inflação no médio prazo, denominado Top 5, mudou bruscamente sua projeção para a inflação do ano que vem, de 6,05% para 6,30%. Isso mostra que as pressões sobre os preços deverão prosseguir em 2014.
 
"Além disso, tem a preocupação com a volatilidade da taxa de câmbio, que tem transmissão para a inflação", emendou o economista da Petros Fundação de Seguridade Social, Tarciso Gouveia. Desde 29 de maio, data da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), o dólar teve alta de mais de 7%. Ontem, estava cotado a R$ 2,264.
 
Para Gouveia, o BC prefere elevar a Selic na magnitude que for necessária agora para ter mais liberdade e tranquilidade no ano que vem. Na Petros, a avaliação é que a taxa alcance 9,25% neste ano. A atmosfera da decisão atual do Copom inclui ainda, como mencionou o economista, as incertezas sobre os próximos passos dos Estados Unidos e seus reflexos nas economias do globo, em especial dos países emergentes. "O BC quer demonstrar que está vigilante com tudo isso", afirmou.
 
Também com a previsão de alta de 0,50 ponto percentual no atual encontro do Copom, o estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Luciano Rostagno, espera que o BC adote um tom beligerante contra a inflação para evitar uma dispersão de expectativas. 

Fonte: Jornal do Commercio

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