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Medidas só dificultam o combate à corrupção
15 de agosto de 2016O aprofundamento da Operação Lava Jato, que apura um vasto esquema de corrupção instalado na Petrobras desde 2014, atingiu grande parte da classe política nacional, que passou a buscar alternativas para minimizar o impacto e as consequências das investigações. Tal reação foi evidenciada em maio deste ano, pela divulgação de conversas do ex-ministro do Planejamento, Romero Jucá (PMDB). Na visão do peemedebista, que foi afastado do cargo após o vazamento dos áudios, só um pacto poderia “estancar a sangria”. Coincidentemente ou não, a partir do momento em que grandes caciques se tornaram alvo das acusações, uma série de ofensivas colocam em risco os poderes dos órgãos de fiscalização e controle, como a extinção da Controladoria Geral da União (CGU) e o projeto de Lei 257/2016, que versa sobre a renegociação das dívidas dos Estados, mas embute restrições ao orçamento do Judiciário. Até mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou proposta que tira dos tribunais de contas a responsabilidade pelo julgamento dos gestores municipais.
Em maio deste ano, quando assumiu o comando do País, Michel Temer fez uma reforma ministerial, que terminou por extinguir a Controladoria Geral da União (CGU). O órgão, que era responsável por reforçar a transparência na gestão federal, através de atividades de controle interno, auditoria e ações de combate e prevenção à corrupção, foi integrado ao Ministério da Transparência. A mudança gerou forte reação dos servidores, que alertaram para o enfraquecimento da autonomia da instituição. Pouco tempo depois, o recém-empossado ministro da Transparência, Fabiano Silveira, foi flagrado criticando a Lava Jato e dando conselhos ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), sobre como lidar com as investigações. Por isso, terminou sendo derrubado.
Dívidas e abuso Em outra frente, o projeto 257/16, que trata da renegociação das dívidas estaduais, também gerou forte reação. Inicialmente, a proposta promovia alterações na LRF, que restringiam o gasto com pessoal do Judiciário, tribunais de contas, Ministério Público e Defensoria Pública. Por isso, foi interpretada como uma forma de favorecer a demissão em massa de promotores de Justiça e defensores públicos e, consequentemente, prejudicar a apuração dos casos de corrupção. Diante da pressão e da dificuldade em aprovar a matéria, o governo recuou e retirou as contrapartidas fixadas no projeto, que deve ser colocado em pauta nesta semana.
Da mesma forma, o projeto de lei que atualiza a legislação sobre crime de abusos de autoridade, em tramitação no Senado, é motivo de polêmica. A matéria prevê pena para delegados, promotores, juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores que ordenarem ou executarem “captura, detenção ou prisão fora das hipóteses legais”. Segundo o senador Randolfe Rodrigues (Rede), a lei pode intimidar a atuação do Ministério Público Federal, que integra a força-tarefa da Lava Jato. “Esse projeto tem endereço certo: é o MPF. É intimidar a condução de investigações”, lamentou.
Nos bastidores do Congresso, se discute a elaboração de uma proposta que poderá mudar a sanção aos políticos envolvidos em esquemas de caixa dois. O próprio presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, se mostrou favorável a uma diferenciação mais explícita na legislação entre os crimes de caixa dois e propina, que pode ser incluída na negociação das dez medidas anticorrupção, em tramitação. Alimentado por advogados com clientes na Lava Jato, o debate teria sido iniciado a partir das possíveis consequências da delação premiada do empresário Marcelo Odebrecht, que poderá comprometer centenas de parlamentares.
PEC40 Já a Proposta de Emenda Constitucional 40 (PEC), do “Padrão Mínimo”, que também tramita no Senado, visa padronizar a atuação dos tribunais de contas, mas preocupa as entidades de classe. A iniciativa impede que servidores concursados exerçam seus cargos, caso não tenham sido aprovados em concurso referente a sua atividade-fim. Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (SindicontasPE), Márcio Santana, a medida poderá inviabilizar a atuação do TCE-PE, já que dos seus 514 auditores, 261 seriam impedidos de atuar com a aprovação da matéria.
Por fim, os tribunais de contas sofreram um forte revés, na semana passada. OSTF decidiu que o parecer dos tribunais de contas sobre o exercício financeiro dos prefeitos deve ser tratado apenas como um parecer prévio. Agora, o julgamento das contas dos gestores deve ser realizado pelas Câmaras de Vereadores, o que pode colocar em xeque o funcionamento da Lei da Ficha Limpa. Como consequência, os prefeitos que tiveram suas contas rejeitadas pelo TCE, mas avalizadas pelo Legisltivo municipal, poderão disputar as eleições.
Fonte: Fonte: Folha de Pernambuco
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