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Manifesto nas ruas teve baixa adesão
1 de julho de 2017Com sanfona, em ritmo de forró e dançando quadrilha, sindicatos e movimentos sociais voltaram às ruas do Recife ontem para protestar contra as reformas e pela saída do presidente Michel Temer (PMDB), embora o ato tenha atraído menos manifestantes do que a manifestação similar no dia 28 de abril. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) estimou em 30 mil pessoas. Há dois meses, a entidade projetava 200 mil. Com ônibus nas ruas, empresas e lojas funcionaram no Recife.
Presidente da CUT-PE, Carlos Veras disse que a adesão menor não enfraquece o movimento. "Está dentro do que a gente esperava para hoje. Dentro da preparação com todas as dificuldades. Há uma questão específica do Nordeste que os trabalhadores e a sociedade estão em festas juninas. Por isso nós fizemos um grande arraial", afirmou.
Entre líderes sindicais e partidários, a baixa adesão das paralisações no País era alvo de preocupação. A principal avaliação é que há um sentimento de apatia na sociedade e uma sensação de descrença com a política que não estima a ida às ruas, apesar da denúncia contra Temer e do impacto das reformas.
"É evidente que isso preocupa. A não adesão dos rodoviários foi uma lacuna grande por ser uma categoria que tem um peso muito importante", afirmou a deputada estadual Teresa Leitão (PT). "Eu sempre fui um crítico da desmobilização das centrais sindicais durante os governos de Lula e Dilma. Acho que houve um afastamento inaceitável do debate dos grandes temas econômicos", ponderou Paulo Rubem Santiago (PSOL).
Do senador Humberto Costa (PT) à deputada federal Luciana Santos (PCdoB), passando pelo vereador do Recife Ivan Moraes (PSOL), todos os discursos de políticos miraram no presidente Michel Temer. Entre os sindicalistas, porém, um ator novo se somou às críticas: o senador Armando Monteiro Neto (PTB). Ministro da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e aliado do PT nas duas últimas eleições, o petebista votou favorável à reforma trabalhista na Comissão de Justiça do Senado. "Em 2018, o senhor não terá o voto dos trabalhadores. Nem queira ser o candidato da esquerda", afirmou o presidente do sindicato dos policiais civis, Áureo Cisneiros.
Pacífica, a manifestação partiu da Praça do Derby e se encerrou na Ponte Duarte Coelho. Um jovem do grupo Tenda da Fé atravessou a Avenida Conde da Boa Vista com os braços atados a uma cruz de madeira, numa referência ao sofrimento enfrentado pelos trabalhadores. Um boneco de papelão de Temer vestido de vampiro com a frase "golpista e vacilão" escrita na testa fez sucesso e foi parado a todo instante por quem queria tirar fotos. Faixas e cartazes também faziam menção aos sócios da JBS, Joesley e Wesley Batista.
Paralisações em todos os Estados
Manifestações contra a aprovação das reformas trabalhista e da Previdência e pedindo a saída do presidente Michel Temer ocorreram em todos os estados e no Distrito Federal. Na maior parte dos protestos, organizados pelas centrais sindicais, não houve registro de atos de violência, mas no Rio, em São Paulo, no Espírito Santo e no Piauí a Polícia Miliar agiu para dispersar a multidão após as passeatas.
No Rio, a organização do ato mudou o percurso previsto inicialmente para driblar a participação de grupos de manifestantes mascarados, apontados como black blocs. No trajeto anunciado, eles sairiam da Candelária, onde se concentraram a partir das 17 horas, e seguiriam até a Cinelândia. Mas mudaram o trajeto e seguiram pela avenida Presidente Vargas até a Central do Brasil, mesmo sendo acompanhados durante o percurso pelos manisfestantes mascarados.
No final do protesto, por volta das 20 horas, a PM usou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar as pessoas. Um ponto de ônibus foi depredado e parte dos manifestantes fez uma barricada na Presidente Vargas e ateou fogo. Os bombeiros foram acionados e rapidamente apagaram as chamas. A polícia não fez estimativas de público. Ao menos uma pessoa ficou ferida.
Em São Paulo, a Avenida Paulista foi fechada nos dois sentidos à tarde. Milhares de pessoas participaram do ato, que começou às 14h e terminou por volta das 18h. Não foi feita estimativa de público nem pela Polícia Militar nem pelos organizadores. No fim da tarde, um grupo de manifestantes foi para a Praça Roosevelt e outro seguiu em direção ao Viaduto do Chá. Um pato gigante, símbolo usado pela Fiesp contra o aumento de impostos, foi queimado na Avenida Paulista, próximo à sede da federação da indústria.
As greves e manifestações pelo país mobilizaram os trabalhadores do transporte público e causaram transtornos em Alagoas, Salvador, Belo Horizonte, Belém, Teresina, Natal, Porto Alegre e Brasília. Em Teresina, além da paralisação dos transportes, também houve confronto entre manifestante e a PM. Um grupo teria tentado forçar o fechamento de uma loja que não aderiu à paralisação.
Rodovias e ruas alvos de bloqueio
A greve geral de ontem, apesar de muito mais tímida do que a que ocorreu no dia 28 de abril, conseguiu mobilizar uma parcela da população que, além de cruzar os braços, participou de diversos atos em vários pontos de Pernambuco. As rodovias federais que cortam o Estado, por exemplo, foram bloqueadas em 19 pontos diferentes, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Importantes vias da Região Metropolitana do Recife, como a Avenida Cruz Cabugá, em Santo Amaro, também foram interditadas pelos manifestantes.
Como costuma ocorrer em movimentações como estas, o maior impacto sentido pela população foi em relação ao transporte público. Os metroviários aderiram à greve, mas a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) garantiu a circulação de composições durante os horários de pico: das 5h às 9h e das 16h às 20h.
Os rodoviários, por sua vez, que haviam decidido não participar do movimento paredista porque vão iniciar uma greve por melhorias salariais na segunda-feira, realizaram um protesto durante a manhã e interditaram a Ponte Duarte Coelho, que liga a Avenida Guararapes à Conde da Boa Vista, na área central do Recife. O ato foi organizado por um grupo dissidente do sindicato que representa a categoria.
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) não suspendeu suas atividades, mas informou que grande parte dos alunos não conseguiu chegar à instituição. A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) tomou a mesma decisão, mas optou por não realizar atividades avaliativas. Também paralisaram as atividades parte dos bancários, escolas estaduais e da rede municipal do Recife. Policiais civis trabalharam em esquema de operação-padrão e os militares não aderiram à greve.
Fonte: Fonte: Jornal do Commercio
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