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Mais um passo em memória da Torre

22 de outubro de 2013
O antigo cotonifício da Torre, na Zona Oeste do Recife, está prestes a se tornar patrimônio do Estado. O edital com a proposta de tombamento foi publicado pela Fundação do Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco (Fundarpe) do dia 17 deste mês. A partir de aqora, a área delimitada pelas Ruas Marcos André, José Bonifácio, dos Operários e pelo Rio Capibaribe fica sob proteção e não pode sofrer qualquer intervenção.

Segundo Neide Fernandes, coordenadora de Patrimônio Material da Fundarpe, a proposta enviada pelo Grupo Direitos Urbanos também incluía o pedido de tombamento de uma vila com 26 imóveis, construída entre as Ruas José de Holanda e José Bonifácio, próximo à fábrica da Torre, no começo do século 20, e de outras casas particulares. Mas o órgão resolveu desmembrar o pedido. "O edital com essa proposta deve ser publicado nos próximos dias", adianta a coordenadora.

 
O próximo passo é fazer exames técnicos, pesquisa histórica e levantamento arqueológico para identificar e definir os elementos do complexo fabril que devem permanecer para a posteridade. "Nem tudo que foi demarcado agora necessariamente será tombado", informa Neide Fernandes, explicando que a proposta inclui a área em volta da fábrica apenas para evitar situações que não possam ser remediadas, como demolições. Só depois desse estudo o projeto será enviada ao Conselho Estadual de Cultura, que acatará ou não o pedido de tombamento.
 
Quanto aos recursos para manutenção, a coordenadora explica que o tombamento reconhece a importância do imóvel, mas a preservação terá que ser discutida com o proprietário. "É preciso fazer um esforço conjunto para recuperar e dar novo uso ao espaço", argumenta a Neide Fernandes.
 
Na avaliação do historiador José Mota Menezes, autor de um estudo enviado à Fundarpe sobre o antigo cotonifício, apenas a fábrica antiga (de 1884), a sala de caldeira e a chaminé devem ser tombadas. "As demais construções, das décadas de 30 e 40, não têm características fabris", esclarece o historiador. "O restante poderia ser liberado para atividades que garantissem a sustentabilidade do patrimônio", argumenta, lembrando que não adianta tombar uma grande área se não houver recursos para a manutenção. "Só objetos importantes devem ser preservados", defende o historiador.
 
HISTÓRIA
O cotonifício da Torre encerrou as atividades na década de 70 do século 20, quando alguns galpões foram modificados para receber o extinto banco Banorte. Até a década de 1990, o centro administrativo do banco funcionou ali.
 
Hoje a área está abandonada. O telhado da fábrica desabou e precisa ser recuperado, mas a estrutura metálica ainda está conservada. O terreno onde ficava tem 10 hectares, maior que o Parque da Jaqueira, e foi transformado em Imóvel de Proteção de Área Verde (Ipav). 

Fonte: Jornal do Commercio

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