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Mais aperto no seu bolso
27 de fevereiro de 2014SÃO PAULO, BRASÍLIA e RECIFE – O Banco Central (BC) subiu ontem o juro básico da economia brasileira, a taxa Selic, em 0,25 ponto percentual, para 10,75% ao ano. Foi a oitava alta seguida da taxa, que havia caído para um dígito em março de 2012 – quando saiu de 10,5% para 9,75% ao ano – e a primeira nessa intensidade depois de seis aumentos de 0,50 ponto percentual. Apesar de ter reduzido o ritmo com que sobe os juros, o BC aperta ainda mais o crédito para o consumidor. Empresas investem menos, o mercado de trabalho se torna mais restrito e a expansão da economia fica ameaçada. Por outro lado, a decisão fortalece as ações contra a inflação que, desde o ano passado, incomoda o brasileiro.
O especialista em finanças André Massaro explica que a Selic interfere diretamente na vida das pessoas comuns porque, "todos somos investidores ou tomadores de dinheiro". O investidor é a pessoa que tem dinheiro sobrando e tomador é aquele que não tem os recursos e pega emprestado. Neste caso, explica, como a Selic é a taxa básica de juros, ela é referência para todas as operações de financiamento, investimentos e créditos em geral. Ou seja, na compra parcelada de um bem como um imóvel, um carro ou um computador, por exemplo, ou na aplicação da poupança, todas as taxas seguirão o comportamento da Selic. "Quando a Selic aumenta, é bom para quem tem dinheiro sobrando e ruim para quem deve", explica.
A decisão do BC, divulgada ontem às 20h45, confirma a aposta da maioria dos economistas brasileiros, baseada no cenário de pressão inflacionária e desaquecimento da atividade econômica. Havia também, em menor intensidade, projeções de aumento ainda maior, de 0,5 ponto percentual.
Em levantamento da agência Bloomberg com 61 instituições, a maioria (44 apostas) esperava o aumento de 0,25 ponto. Em contrapartida, 16 especialistas defendiam um aperto mais forte, de 0,50 ponto percentual. Para o futuro, as apostas dos economistas são mais alta da Selic em abril, de 0,25 ponto percentual. Depois disso, a taxa ficaria estável, encerrando 2014 em 11% ao ano.
Fonte: Jornal do Commercio
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