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Livre seu investimento do IR
2 de janeiro de 2014As opções de investimento em renda fixa que isentam os rendimentos do Imposto de Renda ainda são pouco conhecidas dos pequenos poupadores, mas vêm ganhando espaço. As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letras de Crédito Agrícola (LCAs) são atreladas aos juros, em tendência de alta, e ainda garantem vantagens fiscais. Em 12 meses, o volume desses papéis cresceu mais de 30% na Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip), onde esses negócios são registrados, atingindo em outubro R$ 116 bilhões. Outra opção para quem quer "fugir" do IR são os fundos de investimento imobiliários. São bons para quem quer manter um fluxo de rendimentos mensais (tipo aluguel) sem a mordida do leão. Este produto, no entanto, vem sendo desestimulado pelos gestores de recursos pelo mesmo motivo de alta de juros, que neste caso tem um efeito negativo.
Os LCIs são títulos de crédito lastreados nos recebíveis de financiamento habitacional e, para os bancos, funcionam como instrumento de captação de recursos de financiamentos imobiliários. As LCAS seguem a mesma lógica, mas seus recursos são provenientes do crédito agrícola. Apesar da vantagem de isenção, antes de decidir qual escolha tomar é necessário fazer algumas contas para saber se a desobrigação realmente se reverte em maior ganho. O sócio da consultoria em investimentos Futura Invest, Diogo Velho Barreto, explica que o poupador tem de fazer o "cálculo reverso". Ou seja, o investidor tem de se perguntar: "será que há outro investimento que mesmo pagando IR rentabiliza mais?". Isso porque os bancos também se aproveitam da vantagem tributária e "ficam" com uma parte do ganho do investidor, justamente porque este não pagará IR.
A referência para o cálculo é o CDB, que tem liquidez diária. As letras de crédito têm prazos de resgates definidos. "Se eu tenho uma LCI que me paga 90% do CDI, contra um CDB que me paga 100% do CDI, eu ficaria em desvantagem no CDB, pois, descontando o Imposto de Renda deste último (na menor alíquota, 15%), eu ficaria com 85% (100-15=85). Mas, se tenho um CDB pagando 110% do CDI, tirando os 15% de IR, ficam 95% de rentabilidade. Essa é superior aos 90% da LCI. Ou seja, mesmo a LCI sendo isenta de imposto, neste caso seria melhor o CDB de 110% que vai me pagar mais", compara Velho Barreto. Os CDIs são as taxas de empréstimos de um banco para o outro e, via de regra, seguem a variação da Selic e servem de parâmetro para a renda fixa.
No caso das LCAs, os bancos trabalham com investimentos mais altos, para clientes mais qualificados, diferente das LCIs que têm opções de investimento de menor valor. Uma forma de ter acesso às melhores opções neste tipo de investimento é procurar gestoras de recursos. Uma delas é a Finacap DTVM. A sua estratégia é trabalhar investimentos em bancos médios. Apesar do maior risco, hoje são seguradas aplicações de até R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Em outras palavras, se o banco quebrar, o investidor tem a garantia de receber, até o limite, seu dinheiro de volta corrigido pelas taxas da aplicação.
O gerente de Renda Fixa da Finacap DTVM, Leandro de Lima, defende que o momento é bom para se pensar nas letras de crédito bancário. "O mercado está trabalhando com previsão de alta dos juros, por conta da deterioração das contas fiscais do governo", diz, explicando que é positivo manter investimentos atrelados ao CDI, que reflete a Selic. "Hoje um banco de porte médio paga entre 91% e 94% do CDI, dependendo do cliente. Como o produto não tem IR, ele se torna compensatório. Um CDB (que incide IR) teria de pagar 110% do CDI para compensar", avalia.
Ele diz que bancos grandes como Caixa e Banco do Brasil não têm muito interesse no produto e, por isso, não pagam taxas atrativas. Mas, para quem não precisa de liquidez diária, as letras de crédito aparecem como boa opção.
FUNDOS
A lógica dos fundos imobilários funciona de outra maneira. "É um produto para quem busca uma renda mensal. A pessoa compra a cota de um fundo e todos os meses recebe um aluguel", explica Diogo Velho Barreto. A isenção do IR, no entanto, só funciona neste pagamento mensal. Se o investidor resolver se desfazer de sua cota, terá de pagar o imposto no caso de valorização do ativo. Na visão de Leandro Lima, no entanto, o cenário atual não colabora. Segundo ele, dos mais de 130 fundos imobiliários na Bolsa, "em média a rentabilidade caiu em 6,9%", afirma.
Isso vem acontecendo por causa da alta de juros. "Se um fundo promete rentabilidade mensal de 0,6% ou 0,7%, o que acontece se os juros sobem? O mercado vai procurar outro produto mais atrativo, como um CDI. Como resultado, o valor da cota cai para manter a rentabilidade prometida. Ou seja, se ela valia R$ 100, cai para R$ 90 para manter os 0,6% de rendimento. Ou seja, a pessoa estará perdendo patrimônio", informa. Assim como qualquer investimento os fundos imobiliários trazem risco e o investidor tem de ler atentamente o prospecto do fundo para tomar a decisão. Questões como vacância do imóvel atrelado ao fundo podem gerar perdas. Na prática, os fundos cotizam a administração de grandes edifícios condominiais como shoppings e empresariais.
Fonte: Jornal do Commercio
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