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Juros de financeiras e bancos chegam a 1.000%

22 de abril de 2014

O que aparenta ser fácil demais pode, na verdade, se revelar uma grande armadilha. A dica vale, sobretudo, para quem recorre a bancos e financeiras que prometem crédito imediato e descomplicado mesmo para clientes sem histórico de bons pagadores. O que é vendido como facilidade pode custar caro. Levantamento feito pelo Diario de Pernambuco/Correio Braziliense com base em dados do Banco Central (BC) mostra que há instituições que chegam a cobrar quase 1.000% de juros ao ano para emprestar dinheiro no crédito pessoal.

Os valores, ainda que elevados, nem sempre são percebidos pelos consumidores que recorrem a essas linhas de empréstimo. “Ainda hoje há muita gente que não se atenta ao que está escrito no contrato, nas letrinhas miúdas. Para essas pessoas, o que importa é se a parcela do financiamento vai caber no orçamento do mês”, observa o especialista em finanças pessoais Silvio Paixão, professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi).

Os bancos e financeiras que praticam os juros mais elevados são justamente aqueles que oferecem mais facilidades na hora de conceder empréstimos. Um exemplo é o Banco Daycoval, que diz oferecer crédito “de forma rápida, segura e sem burocracia” a clientes. Dados do BC mostram que a taxa cobrada pela instituição no crédito pessoal foi de 988,1% ao ano no levantamento feito entre 28 de março e 3 de abril, com informações prestadas pelo própria instituição.

Em segundo lugar nessa lista aparece a financeira Crefisa, cujo slogan publicitário é “dinheiro em até 24 horas para (cliente) negativado”. No levantamento, a instituição aparece cobrando juros de 827,9% ao ano no crédito pessoal. O que leva os bancos a oferecer crédito a clientes com maior risco de calote, diz o especialista em finanças pessoais Ricardo Rocha, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), é justamente a maior possibilidades de ganho.

“A instituição financeira que cobra quase 1.000% de juros ao ano sabe que quem tomar esse empréstimo provavelmente não vai ter condições de honrar o contrato até o fim”, observa o especialista. “Então, em um contrato de 24 parcelas, se o cliente conseguir quitar seis ou sete, já terá pago um preço justo”, diz Rocha. Um passo antes de entrar nesse tipo de empréstimo, dizem os especialistas, é buscar recursos mais em conta, como o consignado. O Diario/Correio não conseguiu contactar os bancos e financeiras mencionados na reportagem.

Fonte: Diario de Pernambuco

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