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Ipojuca discute incentivos para o estaleiro Atlântico Sul
21 de agosto de 2007Vinícius Wagner de França, 26, não entende de legislação tributária, mas temeu qualquer problema que pudesse atrapalhar a instalação do estaleiro Atlântico Sul, de Suape. “Vim fazer um protesto pacífico”, disse, ao se espremer para entrar na audiência pública realizada ontem pela Câmara dos Vereadores de Ipojuca para debater incentivos fiscais para o estaleiro. Ele e outros alunos que já se capacitam para o empreendimento saíram mais tranqüilos. A Câmara deve aprovar hoje os incentivos fiscais municipais para a operação do investimento de R$ 670 milhões e que vai gerar até 5.000 empregos.
Até então, os incentivos eram aprovados sem audiência pública, e o fato de o projeto do estaleiro ter suscitado um debate na Câmara assustou alguns, que imaginaram que a ação poderia atrapalhar o projeto. “Sou a favor da isenção fiscal, mas deve vir em conjunto com a geração de emprego no município”, defendeu José Fernando Pessoa, 23 anos. Depois de concluir o segundo grau, ele agora participa do curso de capacitação para tentar trabalhar no estaleiro. “Espero que lá eu tenha o meu primeiro emprego com carteira assinada”, disse.
De acordo com o presidente da Câmara, Nem Batatinha, a preocupação dos vereadores é garantir que os empreendimentos que cheguem à cidade utilizem mão-de-obra local. “As empresas vem para cá, prometem mundos e fundos e não utilizam mão-de-obra de Ipojuca”, reclamou o vereador Carlos Monteiro, autor da convocação para audiência pública. Segundo os vereadores, a Câmara, a partir de agora, deve ouvir atentamente os empreendimentos e compromissos com a geração de emprego antes de aprovar incentivos fiscais. E na fila de empreendimentos ainda está a Mossi & Ghisolfi, que já opera em Suape, e a refinaria Abreu e Lima.
Dos responsáveis pelo estaleiro, tanto o público presente quanto os vereadores gostaram do que ouviram. “As nossas ações foram iniciadas priorizando as pessoas de Ipojuca. É um compromisso priorizar quem nos acolhe”, ressaltou o diretor de implantação do estaleiro, Edílson Rocha Dias. Apenas durante a construção, lembrou, serão 2.500 empregos gerados e até 5.000 na operação. “Além disso, teremos 20 mil empregos indiretos gerados”, reforçou Dias. Ipojuca é o primeiro município a fechar um convênio com o estaleiro para capacitar alunos. Hoje, cerca de 400 estão tendo aulas numa escola reformada chamada Nascedouro de Talentos. A empresa também negocia, para beneficiar os futuros funcionários, formatar um conjunto habitacional para 2.500 profissionais. “A Caixa Econômica está analisando a nossa proposta”, disse Dias. Ele adiantou que o plano prevê que o funcionário que se mantenha na empresa poderá ter a futura residência quitada pelo próprio estaleiro. “Ainda não sabemos em quanto tempo”, afirmou.
O estaleiro pede 50% de redução da alíquota incidente de IPTU do estaleiro e 60% de redução do ISS, saindo de 5% para 2%. Os benefícios serão retroativos a 12 de fevereiro e vigorarão por dez anos. “A conta só se fecha com incentivo fiscal. Nossos concorrentes já têm isso. É imprescindível para novas encomendas”, defendeu.
Miguel Sales, promotor de Ipojuca e que participou da audiência, lembrou que a participação de funcionários do município nas grandes obras depende da qualificação educacional. “Hoje, temos 20 mil pessoas que poderiam ser empregadas. Mas no passado não se preparou essa população. Por isso, temos que recuperar o tempo perdido”, destacou o promotor, apesar de o município ter uma das maiores arrecadações de todo o Estado.
Marilena Ramos, 42 anos, tem esperança que cursos e oportunidades ajudem a população local, especialmente sua filha. “Ela terminou o segundo grau, mas está parada. Ela mora pertinho de onde vai ficar o estaleiro, no engenho Mercês, na chamada curva do boi. Eu digo: Meu deus! A gente nasceu e se criou ali e não teve oportunidade”, lembra Marilena, que trabalha no cafezinho da Câmara de Ipojuca. “Espero que agora seja diferente”, torce.
Fonte: Jornal do Commercio
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