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Iniciativa privada perde para concursos

23 de fevereiro de 2013

O sonho da estabilidade no emprego com melhores salários. Cada vez mais o brasileiro deixa a iniciativa privada para seguir carreira no serviço público. Pesquisa da FGV Direito Rio com a Universidade Federal Fluminense (UFF) revela que os concurseiros estão em alta. Entre 2007 e 2011, o número de candidatos aos concursos na esfera federal pulou de 2 milhões para 4 milhões. Um mercado que movimentará neste ano cerca de R$ 50 bilhões na economia do país. A corrida aos concursos impacta no mercado de trabalho porque provoca a fuga de profissionais qualificados para a área pública.

 
São engenheiros, advogados e adminsitradores que deixam o emprego para se dedicar ao concurso público. “Podemos inferir que a opção pelos concursos é motivada pelos altos salários e benefícios. Ainda que o mercado pague mais, existe a promessa que não pode ser demitido no serviço público”, diz o professor da FGV Direito Rio, Fernando Fontainha, coordenador da pesquisa “Brasil: o país dos concursos?”. Em sua avaliação, esse conjunto de vantagens com a promessa de maiores salários no setor público desagrega a economia no setor privado. 
 
A maior atratividade é a área jurídica porque paga os maiores salários. A remuneração média inicial é 173,27% superior em relação ao menor salário no setor público. Em 10 anos, o salário do procurador federal aumentou 250%, enquanto do técnico do CNPq cresceu 150%. O professor de matemática Allan Galindo Jacques Manguinho, 31 anos, decidiu estudar para concurso público. “O que mais me atrai é a estabilidade e o bom salário. Meu sonho era ensinar, mas a profissão não é valorizada”, desabafa. Ele se prepara para disputar uma vaga nos tribunais federais. Menos um professor em sala de aula.
 
A bióloga Alcione Gomes da Cunha de Almeida, 32 anos, deixou a iniciativa privada para se dedicar aos concursos públicos. Ela foca as carreiras jurídicas . “Se fala que o mercado de trabalho está aquecido, mas quando vem a crise, a primeira coisa que a empresa faz é se desfazer das pessoas”. 
 
Para a diretora jurídica da Associação Nacional de Proteção aos Concursos (Anpac), Maria Thereza Sombra de Albuquerque, o atrativo dos concursos públicos é a estabilidade no emprego, mas o concurseiro busca o status social e a ascensão financeira para ele e para a sua família. “Antes tinha aquele funcionário público que pendurava o paletó e não trabalhava. Hoje, o serviço público se transformou num grupo de profissionais de primeira qualidade”. 
 
Visão diferente do professor Fernando Fontainha, da FGV Direito. Para ele, o atual formato de seleção no setor público é deficiente porque não valoriza a qualificação. O estudo mostra que os profissionais mais bem remunerados são aqueles que concluíram a graduação, cujo salário médio é de R$ 5.028,61.
 
Concursos públicos federais (2001 a 2010)
 
Áreas             Vagas    Salários
 
Serviço social    372    R$ 4.420,44
Química           417    R$ 4.819,18
Medicina          527    R$ 3.558,46
Jornalismo       381    R$ 4.243,01
Informática      577    R$ 4.680,02
Física              740    R$ 4.819,18
Estatística        458    R$ 3.373,97
Engenharia      21.109    R$ 5.143,56
Economia        4.403    R$ 3.355,31
Direito            1.924    R$ 7.160,77
Contabilidade  853    R$ 3.724,45
Biologia           279    R$ 5.226,22
Biblioteconomia    223    R$ 2.890,81
Arquivologia     893    R$ 2.620,35
Arquitetura    169    R$ 3.419,83
Administração    302    R$ 5.820,78
 
Candidatos no Brasil
 
2007    2 milhões
2008    3 milhões
2009    5 milhões
2010    6 milhões
2011     4 milhões
 
Titulação/Salário médio
 
Doutorado    R$ 4.182,81
Mestrado    R$ 2.211,53
Graduação    R$ 5.028,61
Ensino médio    R$ 2.157,53
 
Fonte – FGV Direito Rio

Fonte: Jornal do Commercio

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