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Inflação recua, mas preços ainda assustam

9 de julho de 2016

A educadora Neise Carvalho já tem a resposta na ponta da língua quando questionada sobre o que faz para ajustar o seu orçamento à alta dos preços: pesquisas e substituições. E é justamente isso que ela está fazendo para continuar consumindo feijão no dia a dia da família. Ao invés dos tradicionais carioca e mulatinho, que subiram 46,6% e 32,87% respectivamente, ela passou a consumir mais feijão preto e fraldinha (macassar) e até aumentou o consumo de arroz em casa. Antes de comprar, Neise também opta sempre por pesquisar os preços em mercadinhos de bairro e garante que eles têm trazido valores mais atraentes do que nas grandes redes. Com isso, ela tenta fugir dos impactos da inflação, que continua subindo na Região Metropolitana do Recife e no Brasil, com taxas de 0,35% e 0,31%, de acordo com a apuração de junho do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), divulgado ontem pelo IBGE.

A alta assusta, mas em comparação com a inflação de maio, houve queda nacional e local. Em maio os índices foram de 0,78% e 0,90% respectivamente. No Recife, os setores de alimentos e bebidas (- 0,31%), transportes (- 0,34%), despesas pessoais (- 0,37%) e educação (- 0,15) sentiram uma arrefecida nos preços. O primeiro, impulsionado principalmente pela queda nas refeições fora da casa (- 1,37%) , que tem um peso expressivo no orçamento dos recifenses. A baixa de transportes aqui é reflexo da queda das passagens aéreas (-1,91%) e nos combustíveis etanol, com perda de 1,29% e gás veicular, com redução de 4,74%. “Em compensação, na alta pesa a habitação, cujos preços subiram 1,21% na capital pernambucana; vestuário, com aumento de 1,5%, e saúde e cuidados especiais, com o aumento dos planos de saúde (1,03%), produtos de higiene e limpeza (1,44%), remédios (0,92%) e serviços médicos (1,4%).”, explica Irene Machado, economista do IBGE.

Quanto ao feijão, que dentro de alimentos e bebidas tem sido o grande vilão de preços, a perspectiva para Irene não é de melhoras no curto prazo. “O tipo carioca é o mais consumido no Brasil e é justamente o que teve maior quebra de safra. Teremos uma safra pequena em julho, que não atende a demanda. Esse feijão é de produção local, a gente não importa, então é algo que as pessoas vão ter que realmente substituir por um tempo”, detalha. 

Exatamente o que Neise Carvalho está fazendo. “Hoje, com o quilo a R$ 15, temos que pensar em alternativas. O mulatinho também está mais caro porque nós consumimos muito ele aqui no Nordeste, então vamos passar para o feijão preto e o fraldinha. Compensa”, reforça a educadora. Para driblar os valores mais altos, Neise também têm buscado pequenos mercados e promoções especiais. “O consumidor deve ter mais paciência na hora da compra para não sair perdendo. Vale separar toda a semana um tempinho e olhar os preços e investir nos mercados de bairro, que podem trazer produtos e preços mais em conta. Vale tudo para manter o orçamento.”

Sobre os índices regionais, a maior elevação do IPCA foi registrada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com 0,66%, pressionado pela taxa de água e esgoto (5,57%), que reflexo do reajuste de 13,90%. O menor índice foi em Porto Alegre de – 0,02%.

Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco

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