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Inflação, enfim, dá uma trégua
8 de outubro de 2016A inflação oficial do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desacelerou pelo segundo mês seguido, ficando em 0,08% em setembro, informou ontem o IBGE. A taxa é a menor para o mês desde 1998, quando registrou deflação de 0,22%. Considerando todos os meses, o IPCA de setembro é o menor desde julho de 2014, quando o índice ficou em 0,01%.
No Recife, a variação mensal foi de 0,38%, a terceira maior entre as cidades pesquisadas e bem acima da média nacional. No mesmo mês do ano passado esse número era de 0,17% na capital pernambucana.
Voltando aos números nacionais, analistas esperavam uma taxa de 0,19%, bem abaixo do 0,44% de agosto e do 0,54% de setembro de 2015.
Nos doze meses encerrados em setembro, a inflação ficou em 8,48%. Nos nove primeiros meses de 2016, a alta acumulada é de 5,51%. Ou seja, apesar da melhora no mês passado, quando é analisado o número acumulado a inflação fica bem acima da meta oficial, que é de 4,5% com tolerância de dois pontos percentuais.
A principal causa do alívio de preços em setembro foi a deflação de 0,29% dos alimentos, a maior queda entre os grupos acompanhados pelo IBGE. O maior impacto veio do leite, que vinha sendo um dos vilões da inflação desde o início do ano. Os preços do produto caíram 7,89%, contribuindo com 0,10 ponto percentual sobre o resultado do mês, o mais expressivo impacto para baixo no índice.
Na mais recente edição do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, economistas do mercado financeiro reduziram pela terceira semana consecutiva a previsão para a inflação deste ano.
A mediana das projeções é que o índice encerre 2016 em 7,23%, ainda acima da meta do governo, que é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Em 2015, a inflação ficou em 10,67%
O BC prevê que o IPCA fique abaixo desse limite no ano que vem, segundo o relatório de inflação divulgado na semana passada o primeiro após a troca de comando na autarquia, hoje presidida por Ilan Goldfajn. A expectativa da autoridade monetária é que o índice oficial encerre 2017 em 4,4%, mas os analistas ouvidos pelo Focus ainda não estão tão otimistas e veem a taxa em 5,07%.
Alcançar a meta é considerada uma das condições para que o BC inicie o ciclo de corte de juros. A taxa básica, a Selic, está em 14,25% desde julho do ano passado.
A instituição já avisou, no entanto, que o alívio monetário depende de outros fatores, como a aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC) que fixa um teto para os gastos públicos. Na noite de quinta-feira, o texto base do relatório da medida ¬ principal arma do governo de Michel Temer para atacar a crise fiscal foi aprovado na comissão especial criada na Câmara dos Deputados para analisar a proposta.
Ilan Goldfajn afirmou ontem, em Washington, que a inflação de setembro foi uma "surpresa positiva." Entretanto, ele defendeu cautela para analisar os números.
"Eu diria que a inflação que veio abaixo do consenso (dos analistas) é uma surpresa positiva, mas tivemos também surpresas negativas (no passado) e a gente tem que manter a serenidade, olhar a tendência da inflação", afirmou Goldfajn, após participar de uma palestra na capital americana.
Fonte: Fonte: Jornal do Commercio
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