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Inflação, enfim, cede. Porém…

9 de abril de 2016

À primeira vista, ver um índice de -0,04% na inflação da Região Metropolitana do Recife em março pode parecer um alívio, já que fechamos 2015 com uma alta de 10,15% e desde julho de 2014 não registrávamos um índice negativo. No entanto, o contexto econômico recessivo faz com que o resultado seja um alerta: ele não representa uma redução no custo de vida, mas sim uma comprovação de que as famílias estão consumindo menos, forçando o mercado a reduzir custos e contabilizar mais perdas.

Os resultados são do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do País, calculada pelo IBGE e cujos dados mais recentes foram divulgados ontem. Eles indicam que, entre os 13 pontos pesquisados no País, somente a RMR (-0,04%) e a região metropolitana de Salvador (-0,14%) tiveram resultado negativo em março.

Economista do Instituto Fecomércio, Rafael Ramos explica que no Recife e em Salvador houve deflação, que é quando se atinge um patamar negativo na média de preços ao consumidor. Ele esclarece que, embora isso represente uma "pausa" na escalada dos preços, na verdade reflete que as famílias não estão conseguindo consumir o que querem ou precisam. "Uma política de combate à inflação com desaquecimento do consumo significa que a economia está parada. Com essa postura de alta dos juros, as famílias são as mais prejudicadas, sobretudo as mais pobres. Há outras alternativas para o governo, como corte de custos, reforma tributária e também via câmbio", critica o economista.

Na RMR, o trimestre acumulou alta de 2,58%. Nesse período de janeiro a março, houve recuo de combustíveis (-3,35%) e energia elétrica (-5,43%). Já no grupo de alimentação e bebidas, houve saltos em açúcar e derivados (16,73%), frutas (14,76%) e tubérculos, raízes e legumes (12,97%). Porém, no conjunto, a maior alta foi em educação (3,78%)

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De um modo geral, houve uma desacelaração da inflação no País, fazendo com que o primeiro trimestre ficasse fora casa dos dois dígitos em 10 dos 13 pontos pesquisados. Coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes disse que essa perda de fôlego dos preços ainda não está espalhada pela economia, mas pode ser identificada em diversos itens. Seria o caso, por exemplo, a alimentação fora de casa (restaurantes, lanchonetes). Os preços desse serviço aumentaram 0,55% em março, bem abaixo dos preços dos alimentos (1,24%). "Temos visto pessoa de restaurantes buscar formas de substituir carne pelo frango para conter custos. Então, esse processo já começou", disse a técnica do IBGE.

Para a economista Amanda Aires, as famílias estão fazendo seu dever de casa e, considerando a continuidade da crise econômica, os empresários precisam acompanhar esse esforço para conseguir sobreviver. "Os consumidores estão ajustando seu orçamento à sua realidade. Nas empresas, é preciso aumentar a produtividade e reduzir custos para conseguir vender mais barato e ser mais competitivo", opina a especialista.

Fonte: Jornal do Commercio

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