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Inflação desacelera, mas juros vão subir

8 de fevereiro de 2014

Carregar a marca nada abonadora de juros mais elevados do mundo não tem sido suficiente para o Brasil barrar a inflação. A expectativa dos analistas é de que em setembro, véspera das eleições, o custo de vida chegue ao limite de tolerância (ao redor de 6,5%) e, ao fim de 2014, termine em nível incômodo ao bolso do brasileiro e superior aos 5,91% do ano passado. 

Janeiro, no entanto, começou bem, ao menos na avaliação da equipe econômica. A alta de 0,55% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, divulgada ontem) foi motivo de alívio, principalmente porque, em 12 meses, cedeu para 5,59%. A comemoração, porém, ocorreu com parcimônia. E não foi à toa. O índice de difusão, que mostra a quantidade de produtos e serviços com aumentos no mês passado, continuou elevado e é motivo de preocupação: passou de 69,3%, em dezembro, para 71,6%. Ou seja, os reajustes estão disseminados.

Entre os economistas do governo, a avaliação é de que a desaceleração do IPCA, que havia cravado 0,92% em dezembro, é importante para melhorar as expectativas e incentivar os consumidores a comprarem mais, sobretudo bens duráveis e semiduráveis. “Foi uma surpresa positiva a inflação ter ficado abaixo das projeções de mercado, de 0,60%, em média. Isso reduz a desconfiança e deve ter impacto benigno nas projeções para o ano”, disse um integrante da equipe econômica. Ele observou que os preços livres, aqueles que não são administrados pelo poder público e sofrem interferência direta das taxas de juros, também se “comportaram melhor”, ao apresentarem elevação de 0,6%, metade do registrado em janeiro de 2012. Também os núcleos, que descontam as altas e as baixas atípicas, apontaram desaceleração, de 0,71% para 0,53% entre dezembro e o mês passado.

Os especialistas do mercado estão mais céticos. “O resultado da inflação de janeiro é o menor para o mês desde 2009, mas não significa que o problema está resolvido”, alertou Pedro Raffy Vartanian, professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “O quadro eleitoral, os reajustes no preço da gasolina e de outros preços administrados que foram represados em 2013, impactarão a inflação de 2014”, projetou. Mauro Schneider, economista-chefe do CGD Securities, endossa essa visão. “O impacto da inflação corrente sobre as expectativas é relevante, contribui para ter um quadro mais tranquilo. Mas, do ponto de vista objetivo, os motivos que ajudaram o IPCA a desacelerar podem ser revertidos”, argumentou.

Segundo ele, alguns preços preocupam, como os dos serviços, que têm pressionado fortemente o custo de vida. Despesas com médicos e dentistas, ficaram, por exemplo, 10,97% mais caras no acumulado de 12 meses e empregado doméstico, 11,75%.

IPCA
Inflação mensal (em %)

Feveireiro/13 0,60
Março/13 0,47
Abril/13 0,55
Maio/13 0,37
Junho/13 0,26
Julho/13 0,03
Agosto/13 0,24
Setembro/13 0,35
Outubro/13 0,57
Novembro/13 0,54
Dezembro/13 0,92
Janeiro/14 0,55

A inflação no Recife (em %)
Alimentação e bebidas 0,56
Habitação 0,79
Artigos de residência 0,39
Vestuário -0,84
Transportes -0,18
Saúde e cuidados pessoais -0,05
Despesas pessoais 1,76
Educação 0,18
Comunicação    0,10

Fontes: IBGE e Bancos Central

Fonte: Diario de Pernambuco

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