Marca SINDIFISCO Sindicato dos Auditores Fiscais e Julgadores Tributários de Pernambuco

Notícias

Inflação acelera em fevereiro

13 de março de 2014

RIO – No tradicional mês de reajustes das mensalidades escolares, a inflação oficial acelerou. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,69% em fevereiro, ante 0,55% de janeiro, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora a subida dos preços dos serviços de educação fosse esperada, a inflação acumulada em 12 meses segue pressionada. Por isso, segundo especialistas, as preocupações com a alta de preços persistem.

O IPCA acumulado em 12 meses saltou para 5,68%, acima do centro da meta do governo, de 4,5%. Em janeiro, esse acumulado estava em 5,59%. "Há chance real de a inflação ficar acima do teto da meta este ano", afirmou Carlos Kawall, economista-chefe do banco Safra, que projeta IPCA de 6,3% no fim do ano.

Olhando só para fevereiro, os gastos com educação foram o vilão. Os preços dos serviços de educação subiram 5,97%. Da alta de 0,69% no total do IPCA, a educação foi responsável por 0,27 ponto porcentual.

Na outra ponta, os preços dos alimentos ficaram comportados (alta de 0,56%, ante 0,84% em janeiro), mas isso não deverá se repetir daqui por diante. Além disso, houve queda de preços em transporte (baixa de 0,05%) e nos itens do vestuário (recuo de 0,40%). O destaque foram as passagens aéreas, com queda de 20,55% nos preços em fevereiro, tirando 0,12 ponto porcentual do IPCA.

Nos cálculos do economista Luiz Roberto Cunha, decano do Centro de Ciências Sociais da PUC-Rio, se retirados os efeitos dos preços da educação, para cima, e das passagens aéreas, para baixo, a inflação ficaria em 0,55%. "Se tiramos os efeitos pontuais, a inflação segue pressionada", disse.

Com isso, as atenções se voltam para o Banco Central (BC) e o ciclo de alta nos juros (a taxa básica, a Selic, em 10,75%, e vem subindo desde abril). Ontem, em palestra para investidores, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou, em relação à inflação, que a instituição "tem agido para assegurar sua convergência à trajetória de metas e que os efeitos da política monetária são cumulativos e se manifestam com defasagens". De acordo com Tombini, "a política monetária no contexto atual deve se manter especialmente vigilante".

Segundo um economista presente ao evento, o tom do presidente do BC foi muito semelhante ao da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Para alguns, o BC seguirá subindo os juros. Para outros, haverá uma parada. "O BC sinalizou que a continuidade do ciclo de alta está em aberto", disse Kawall, do Safra, apostando em alta de 0,25 ponto na próxima reunião do Copom.

Para o diretor de pesquisas para a América Latina da corretora Nomura, Tony Volpon, há espaço para uma parada porque o avanço nos preços livres (tudo o que não é tarifa controlada pelos governos) desacelerou. "O aperto monetário tem maior influência sobre os preços livres, pois os administrados têm maior influência de decisões de governo", disse. Segundo Volpon, o IPCA de preços livres ficou em 6,3% no acumulado de 12 meses em fevereiro. Em junho, estava em 8,30%.

Desde abril, o BC elevou os juros em 3,5 pontos porcentuais. Passados os efeitos pontuais dos reajustes das mensalidades, são citados como ameaças para a inflação deste ano os preços dos alimentos (a prolongada seca deste ano já começou a mostrar seus efeitos, com força maior no atacado), dos serviços (com a Copa do Mundo), dos combustíveis e da energia elétrica.

Fonte: Jornal do Commercio

Notícias