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Inflação abre o ano acelerada

6 de fevereiro de 2016

Após fechar 2015 com o maior avanço em 13 anos, a inflação abriu o ano novamente pressionada. O IPCA (índice oficial do país) foi de 1,27% em janeiro, movimento puxado por preços dos alimentos e transporte. Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE. Trata-se da maior alta para meses de janeiro desde 2003, quando os preços subiram 2,25%. Naquele ano, o dólar subiu com as incertezas do mercado sobre o primeiro governo PT e isso afetou a inflação.

O resultado ficou acima da inflação de dezembro (0,96%) e de janeiro de 2015 (1,24%). E também das expectativas dos economistas consultados pela agência internacional Bloomberg, que previam avanço de 1,10% no mês passado.
Com preços ainda pressionados, a inflação acumulada em 12 meses permaneceu em dois dígitos: 10,71% até janeiro. É um pouco acima 10,67% do ano passado, que foi a maior registrada desde 2002. 

O clima instável foi o vilão dos preços dos alimentos. Com altas temperaturas e fortes chuvas (na região Sul), os preços subiram nas gôndolas dos supermercados, mercados e feiras acompanhados pelos pesquisadores do IBGE.

A inflação do grupo de alimentação e bebidas acelerou, dessa forma, de 1,50% em dezembro para uma alta de 2,28% em janeiro passado. Isoladamente, o grupo foi responsável por 0,57 ponto percentual da inflação no mês.

Esse impacto veio sobretudo dos alimentos consumidos dentro de casa, que tiveram avanço de preço de 2,89% no mês passado. Comer fora de casa – bares, restaurantes, lanchonetes – subiu menos, 1,12%.

Entre as maiores altas estavam produtos como cenoura (32,64%), tomate (27,27%) e batata-inglesa (14,78%). Nos últimos 12 meses, a cebola teve um aumento de preços de 79,59%, segundo o IBGE.

O dólar alto também influencia o preço dos alimentos, mas seu papel foi secundário. O avanço do câmbio eleva os preços de insumos agrícolas e de produtos negociados na moeda norte-americana mercado de internacional, como o trigo.

Transportes
Além dos preços dos alimentos, as tarifas de ônibus urbanos subiram 5,61% na média nacional em janeiro e contribuíram para manter a inflação alta no mês, fruto dos reajustes em São Paulo e no Rio e Recife. O grupo de transportes passou assim de uma alta de 1,36% em dezembro para 1,77% em janeiro deste ano. Isso correspondeu a 0,33 ponto percentual da inflação no mês passado, segundo informou o IBGE. 

A aceleração não foi ainda maior porque os preços das passagens aéreas cederam 6,13% no mês passado, o que contribuiu para retirar 0,03 ponto percentual de pressão sobre a inflação. O movimento era esperado.

Para Eulina Nunes dos Santos, gerente de Índice de Preços do IBGE, alimentação e transportes, os dois grupos com maior peso no IPCA, concentraram o avanço da inflação neste mês. Ela disse que é cedo para falar em tendência do ano.

Fonte: Diario de Pernambuco

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