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Imposto de Renda está menor para classe média

2 de janeiro de 2009


Zulmira Furbino // Do Estado de Minas

 


A mordida do leão está mais leve desde ontem, com a entrada em vigor da nova tabela do Imposto de Renda (IR) de 2009. Com mais duas alíquotas, de 7,5% e 22,5%, criadas pelo governo no início de dezembro dentro do pacote de estímulo ao consumo, os contribuintes vão economizar, em média, R$ 40 ao mês. Em um ano, a economia média seria de R$ 480. O desconto máximo será de R$ 89,50, com vantagem de R$ 1.074 em 12 meses, e o mínimo de R$ 1.

Os cálculos são do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). Com a mudança, no lugar de duas alíquotas (de 15% e 27,5%), o IR passa a contar com quatro (7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%), que serão aplicadas progressivamente em todos os salários e rendimentos. A medida beneficia, principalmente, os contribuintes de classe média.

Entre as iniciativas anunciadas pelo governo para estimular os consumidores, que incluem redução temporária do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operação Financeira (IOF), a adoção de mais duas alíquotas do IR foi a melhor para o presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral. “As outras medidas são pontuais”, observa. Segundo ele, a redução será aplicada em todos os casos, independentemente dos rendimentos. “O limite de isenção é igual para todos. A partir daí, as alíquotas passam a ser aplicadas progressivamente”, explica. Amaral acredita que a mudança quebrou paradigmas. “A Receita dizia que não podia criar alíquotas intermediárias, mas a medida do governo provou que isso não era verdade. As novas alíquotas dão um impulso à mudança e trazem benefícios para todos os contribuintes”, sustenta.

Ronilson Mende, que trabalha num escritório de contabilidade e é especialista em direito tributário, vai economizar R$ 62,62 do montante que deixa com o leão a cada mês. Seu salário é de R$ 2 mil, dos quais R$ 40,38 ficavam com o leão. Desde ontem, a mordida está mais branda. Passa a ser de R$ 15,10. Com a diferença, ele pretende investir na educação do filho. “A economia é muito significativatanto em percentual como em valor a recolher. Mas acho que profissionais com um salário como o meu não deveriam pagar IR”, diz. Especialistas do segmento, apesar de reconhecerem a importância da criação das novas alíquotas, concordam que teria sido mais eficiente se o governo corrigisse a tabela levando em conta a inflação. Cálculos do IBPT indicam que existe uma defasagem de 46% na correção do IR entre 1996 e 2008 em comparação com a inflação, nada menos do que 10 vezes superior à atualização de 4,5% que entrou em vigor ontem.

Segundo o contabilista Edvar Dias Campos, a criação das novas alíquotas alivia, principalmente, o bolso das pessoas que ganham menos. “A correção é até singela, já que a inflação do período não foi reconhecida, mas já é um passo, ainda que longe do ideal”, observa. Denise Costa Pinto Coelho, contadora, com salário de R$ 2.991 e um dependente, pagou R$ 172,68 de Imposto de Renda em novembro, mas com as novas alíquotas vai passar a pagar R$ 108,83, uma economia de R$ 36,98 ao mês. A sobra mensal de R$ 64 – R$ 768 ao ano -, ela pretende gastar, em sintonia com os objetivos do governo de incentivar o consumo. “O valor mensal é pequeno, não paga nem a metade da prestação de um eletrodoméstico mais caro. Mas a economia anual já é um valor a considerar. Se eu fosse poupar para gastar no fim do ano, daria para pagar à vista metade de um eletrodoméstico”, calcula.

A dentista Addah Regina Freire, enquadrada na última faixa de rendimentos, deixou mensalmente R$ 1.140 na boca do leão em 2008 e este ano vai pagar R$ 1.032, uma economia de 9,95% que, multiplicada por um ano, soma R$ 1.296. Os cálculos foram feitos pela CED Contabilidade e levam em conta não só a criação das alíquotas intermediárias, mas a correção da dedução na tabela de 2009. “Quando ouvi a notícia, achei que não seria beneficiada por causa da minha faixa salarial. Considerando a quantidade de imposto que a gente paga, a economia é pequena. Mas não é desprezível”, afirma. Ela pretende poupar o valor que vai economizar com a medida dogoverno.

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O novo Imposto de Renda

Salário bruto Alíquota

Até R$ 1.434, Zero
Acima de R$ 1.434 até R$ 2.150, 7,5%
Acima de R$ 2.150 até R$ 2.866, 15%
Acima de R$ 2.866 até R$ 3.582, 22,5%
Acima de R$ 3.582, 27,5%

*Estas alíquotas entraram em vigor desde ontem. As regras de deduções e abatimentos continuam as mesmas

 

Fonte: Diário de Pernambuco

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