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Impasse trava Cruz Cabugá

2 de maio de 2013
Os 21 mil motoristas que utilizam diariamente a Avenida Cruz Cabugá, uma das principais ligações do Recife com a cidade de Olinda, na Região Metropolitana, devem se preparar porque o congestionamento que hoje inferniza a todos no pico da manhã deverá ficar ainda pior no fim do mês. Um impasse entre o governo do Estado e a Marinha do Brasil não está permitindo que uma rota de fuga para o tráfego de veículos seja criada para minimizar os impactos que serão provocados com a construção do eixo do Corredor Norte-Sul pela via central, prevista para começar até a primeira quinzena de junho. O caminho alternativo seria pela chamada Vila Naval, localizada na margem leste da Cruz Cabugá, mas para cedê-la, a Marinha quer compensações que o Estado não aceita fazer por enquanto.
 
A situação se arrasta há quase dois anos, desde que o projeto do eixo do Norte-Sul pela Avenida Cruz Cabugá foi apresentado pelo secretário das Cidades, Danilo Cabral. Na época, o secretário já apresentou o projeto considerando a rota alternativa pela Vila Naval. A rota seria um prolongamento da Avenida Artur Lima Cavalcante, ligando a Ponte do Limoeiro ao Complexo de Salgadinho, no limite entre a capital e Olinda, e passaria pela área militar, margeando o Rio Beberibe. Seria usada pelos veículos que saem do Recife para Olinda. No sentido contrário, o caminho seria a Avenida Agamenon Magalhães, via já saturada pelo tráfego de 100 mil veículos por dia.
 
A ideia inicial do governo do Estado era limitar o tráfego na Avenida Cruz Cabugá aos ônibus, jogando os veículos particulares, no sentido Olinda-Recife, para a Agamenon Magalhães. Agora, está analisando se os motoristas poderão usar a Cruz Cabugá mesmo com as obras. Nelson Menezes, presidente do Grande Recife Consórcio de Transportes, explica que a resistência da Marinha em liberar a Vila Naval não só complicará o trânsito como também privará a cidade de mais uma ciclovia, de uma estação do projeto de navegabilidade e da retomada de uma área de contemplação às margens do Rio Beberibe. "Com a abertura da Vila Naval poderíamos fazer a ciclovia pela via marginal ao Rio Beberibe, interligando-a com a Rua da Aurora. Também seria possível implantar um das estações do Projeto Rios da Gente, prevista para as imediações da Escola de Aprendizes de Marinheiro. Sem falar na alternativa viária para os carros que saem do Recife para Olinda", diz Nelson Menezes.
 
Sem a abertura da Vila Naval, o tráfego de veículos particulares no sentido Recife-Olinda será reduzido para uma única faixa na Avenida Cruz Cabugá. E, mesmo assim, ela terá que ser compartilhada com os ônibus convencionais. Haverá duas faixas para carro e ônibus convencionais no sentido Olinda-Recife e as duas faixas do corredor de BRT (Bus Rapid Transit), em mão dupla. "A quantidade de faixas continua a mesma, a diferença é que estamos dando mais espaço para o transporte público", diz Nelson Menezes. O Estado ainda não desistiu definitivamente da Vila Naval. Agora, tenta negociar com a Marinha a liberação provisória do sistema viário apenas durante as obras de construção do corredor. 

Fonte: Jornal do Commercio

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