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Idoso aperta o cinto para pagar contas

20 de julho de 2015

A alta dos preços está batendo mais forte no bolso dos idosos. Com as despesas crescendo a cada dia – e o orçamento apertado – muitos começaram a atrasar os pagamentos. Para não ficar inadimplentes com as contas do dia a dia, tem quem dê uma passadinha no banco para pegar um empréstimo consignado e fechar o mês. O que não é garantia de ficar no azul. Uma pesquisa da Serasa Experian aponta que a inadimplência cresce mais na faixa etária acima dos 61 anos. Um dos motivos é a inflação da terceira idade, que sobe acima do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e é puxada pelos aumentos dos alimentos, medicamentos e planos de saúde, cujo peso é maior para os mais velhos. Outro fenômeno é o desemprego que leva os filhos de volta para casa, sobrecarregando as despesas dos pais aposentados.

O aposentado Edelson Ramos de Andrade, 72, é o exemplo do aperto financeiro da terceira idade. “A alimentação é o pivô dos aumentos. Cada vez que a gente vai ao supermercado volta com menos. Sem contar os gastos com remédios e o plano de saúde”, desabafa. O idoso tem mais de sete contratos de crédito consignado e ultrapassou a margem de consignação de 35%. A situação piorou com o desemprego do filho, ex-empregado de uma subsidiária da Petrobras, que voltou a morar com os pais, junto com a mulher e dois filhos.

Júlio Leandro, superintendente do Serasa Consumidor, explica que o contexto macroeconômico é desfavorável principalmente para os idosos. Segundo ele, a alta de preços e a subida dos juros está empurrando o idoso para a inadimplência. “Além do componente inflação, o idoso ajuda muito a família, paga a escola dos netos. Muitas vezes pede empréstimo consignado no nome dele”, salienta. É justamente o avanço do crédito consignado que complica o orçamento dos idosos, principalmente com o aumento da margem de consignação, que passou de 30% para 35%.

O peso da terceira idade

Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) da Fundação Getulio Vargas (FGV) ficou em 2,46%, acumulando alta de 9,37% nos últimos 12 meses. Resultado superior ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que fechou em 8,89%. O economista do Ibre/FGV André Braz destaca que as despesas que mais subiram em 2015 são as que mais pesam na cesta de consumo dos idosos.

Braz cita a energia elétrica, que subiu 53,94% em 12 meses, a taxa de água, com alta de 7,20%, e os alimentos, que aumentaram 9,18%. “Por permanecerem mais tempo em casa, os idosos consomem mais energia e água, o que contribui para que essas contas pesem mais em seus orçamentos”, destaca o economista.

Para enfrentar as turbulências da alta de preços e evitar a inadimplência, André Braz recomenda que os idosos façam uma revisão no orçamento para enquadrá-lo nas despesas correntes. Ele reforça que a inflação encurta a renda de todos e a inadimplência ocorre por comprometimento da renda com despesas além da capacidade de pagamento da família. “Fica o alerta para os mais jovens. Devemos nos preparar para a aposentadoria.”

Fonte: Diario de Pernambuco

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