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Haddad diz que Brasil tem ‘gordura’ para reduzir taxa de juros que o resto do mundo não tem
13 de março de 2023O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou, nesta segunda-feira, que há pouco espaço para aumento de taxa de juros no mundo e que o Brasil está na contramão, com “uma gordura” que permite reduzir a taxa básica, a Selic. Ele também defendeu que as autoridades monetárias tenham em mente o limite prudencial de elevação dos juros para que não desorganizem as economias de seus países.
? Há pouco espaço para aumento da taxa de juros no mundo. E há uma gordura no Brasil, que permite a nós, tomando as providências que estão sendo tomadas (pela equipe econômica) e reconhecidas pelo Banco Central em atas… Penso que temos um espaço (para baixar juros) que o mundo não tem ? afirmou.
Haddad participou de mais uma edição da série de debates “E agora, Brasil?”, realizada pelos jornais O GLOBO e Valor Econômico, com patrocínio do Sistema Comércio, através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas Federações.
O encontro foi mediado pela colunista do GLOBO Míriam Leitão e pelo chefe da Redação do Valor Econômico em Brasília, Fernando Exman.
Ao avaliar o cenário dos Estados Unidos, em que os juros estão subindo para que o país consiga alcançar a meta da inflação, Haddad chamou a atenção para o limite prudencial:
? Qual é o limite que você tem para aumentar os juros sem desorganizar a economia como um todo, a quebradeira que pode vir de um descasamento das carteiras? Uma hora vai chegar a esse limite, e haverá mais dificuldade de buscar o centro da meta (de inflação) num período muito curto.
‘Inflação castiga no Brasil’
Em relação à meta de inflação, o ministro pontuou que o Brasil, em sua visão, é um dos poucos países que perseguem uma meta para o período de 12 meses e que uma possibilidade a ser avaliada é o alongamento desse horizonte para dar tempo a autoridade monetária para acomodar choques externos que podem implicar em desorganização do sistema.
? Penso que a inflação no Brasil castiga muito, a gente sabe que o poder de compra do trabalhador a gente tem de preservar. Apesar de as medidas demagógicas do passado estarem sendo revertidas, as projeções de inflação continuam bem comportadas. Mas essa questão vai afetar o mundo inteiro, as pessoas vão olhar um horizonte mais longo para acomodar as tensões ? avalia.
Questionado sobre as discussões para revisão da meta de inflação no Brasil, Haddad disse que essa é uma discussão técnica que precisa ser feita “sem ruído e com tranquilidade”. Mas o ministro avalia que a prioridade nesse momento é a definição do novo arcabouço fiscal, que vai impactar diretamente na elaboração do Orçamento para o ano que vem.
Fonte: Fonte: O Globo
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