Marca SINDIFISCO Sindicato do Grupo Ocupacional Administração Tributária do Estado de Pernambuco

Notícias da Imprensa

Há corrupção no governo para 70%

12 de julho de 2021

Em meio às investigações da CPI da Covid, 70% dos brasileiros disseram acreditar que há corrupção no governo do presidente Jair Bolsonaro. É o que apontam novos dados da pesquisa Datafolha divulgada pelo jornal Folha de S Paulo neste domingo, 11. Outros 23% negaram suspeitar de irregularidades na gestão federal, enquanto 7% não souberam responder.

Somente em relação ao Ministério da Saúde, 63% dos entrevistados afirmaram acreditar que há corrupção na pasta, ante 25% que descartam a existência de irregularidades nela.

A comissão investigativa conduzida pelo Senado Federal apura suspeitas de irregularidades, cometidas por membros do governo federal, na compra de imunizantes contra a covid-19. Bolsonaro é suspeito de prevaricação no caso da compra da vacina Covaxin.

Para 64% das pessoas entrevistadas pelo instituto, Bolsonaro sabia das infrações administrativas cometidas no ministério; jovens de 16 a 24 anos (72%) e nordestinos (71%) são os que mais acreditam nessa tese. Mas 25% disseram acreditar no desconhecimento presidencial e 11% não opinaram.

O Datafolha entrevistou 2.074 pessoas com mais de 16 anos, de forma presencial, entre os dias 7 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

Ainda de acordo com a pesquisa, os grupos que mais veem corrupção no governo federal são mulheres (74%), jovens (78%) e moradores da região Nordeste do país (78%), além de pessoas que reprovam o governo (92%).

No grupo dos empresários ouvidos pelo instituto (2% do total de entrevistados), porém, a tendência se inverte: 50% deles creem que exista corrupção no governo, mas 48% discordam da suspeita. Os outros grupos em que a taxa de confiança do governo é maior são: homens (28%), pessoas com mais de 60 anos (29%), evangélicos (30%) e moradores das regiões Norte e Centro-Oeste (31%).

Dados da pesquisa divulgados ontem mostraram que a maioria dos brasileiros é favorável ao impeachment de Bolsonaro – 54% dos entrevistados, contra 42% que são contrários à medida. Anteriormente, o Datafolha já havia indicado que a reprovação ao governo é a maior desde o início do mandato. São 51% os que opinaram que a gestão é ruim ou péssima e 24% os que a consideram ser boa ou ótima.

NA CPI

Grupo composto por senadores independentes e de oposição ao governo que atuam na CPI da covid, o chamado “G7” perdeu um integrante. Ainda assim, essa ala, que costuma dar dores de cabeça ao Palácio do Planalto, mantém a maioria na comissão, que tem 11 titulares. Integrantes do agora “G6” estão convencidos de que o senador Eduardo Braga (MDB-AM) abandonou o bloco após sofrer assédio por parte do governo e, também, por ter se desentendido com seu conterrâneo Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, durante uma das sessões.

Relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), no entanto, ainda tenta fazer com que Braga permaneça unido aos que vêm torpedeando o governo. Além de eles serem correligionários, Renan é grato ao colega de partido pelo fato de Braga tê-lo apoiado para ocupar a relatoria da comissão. O posto de destaque vem garantindo a Renan uma exposição que ele jamais havia tido, como o próprio Renan costuma reconhecer.

Suspeitas agora em diluentes

Alvo de suspeitas de corrupção na compra de vacinas, o Ministério da Saúde escolheu uma empresa multada e advertida pelo menos 75 vezes por descumprir contratos com o próprio governo federal para fornecer diluentes a imunizantes da Pfizer contra a covid-19. O negócio com a FBM Farma, selecionada num processo sem licitação, chamou a atenção da Controladoria Geral da União (CGU), que identificou uma série de falhas, além do histórico de problemas. Relatório da CGU, ao qual o Estadão teve acesso, aponta sobrepreço de R$ 2,5 milhões no valor do produto, além de critérios adotados para a compra que limitaram a participação de outros fornecedores.

O processo de compra dos diluentes, que começou em abril e ainda está em negociação, envolve duas áreas que já enfrentaram denúncias de irregularidades na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid. A primeira é a secretaria executiva do Ministério da Saúde, na qual trabalhava Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística; a segunda, a Secretaria de Vigilância em Saúde, onde dava expediente Lauricio Monteiro Cruz, ex-diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis.

As duas áreas são subordinadas diretamente ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Tanto Dias – que chegou a ser preso na quarta-feira, após depor na CPI – quanto Cruz foram demitidos recentemente, após denúncias de fraude envolverem a importação de vacinas contra o novo coronavírus. Com a tarefa de investigar ações e omissões do governo de Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia, a CPI faz um pente-fino em contratos e negociações em andamento.

Bolsonaro responde a inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República para apurar suspeita de prevaricação no caso da negociação da vacina indiana Covaxin. A omissão teria ocorrido porque o presidente não determinou abertura de investigação sobre a compra da Covaxin após ser informado dos indícios de irregularidades pelo deputado Luis Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele, Luis Ricardo Fernandes Miranda, servidor de carreira do ministério.

Embora a compra do produto da FBM Farma ainda não tenha sido concluída, a negociação prevê que, ao todo, sejam fornecidos 18 milhões de unidades do diluente (soro fisiológico), suficientes para preparar 100 milhões de doses da Pfizer.

No relatório, a CGU fez recomendações para que o ministério possa mitigar os riscos na contratação da FBM Farma, uma indústria sediada em Anápolis (GO). Um dos sócios e diretores da empresa é Marcelo Reis Perillo. Ele já foi alvo de investigações da Polícia Federal e tem parentesco com o ex-governador tucano Marconi Perillo.

Fonte: Jornal do Commercio

Mais Notícias da Imprensa