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Grito dos Excluídos vira protesto contra reformas

8 de setembro de 2017

A pauta do Grito dos Excluídos, que acontece há 23 anos como parte dos eventos do 7 de Setembro, ganhou mais força neste ano com a sucessão de reformas e projetos que afetam a classe trabalhadora. Ontem, às 9h, cerca de 30 entidades, entre movimentos sindicais, estudantis, sociais e religiosos, se reuniram na Praça do Derby, Zona Central do Recife, para lutar contra a perda de direitos sociais. Por volta das 11h, os militantes seguiram em marcha pela Avenida Conde da Boa Vista até a Praça da Independência.

“Estamos aqui, em mais um grito, num momento em que nossos direitos e nossa democracia está sob ataque. Para lutar contra todas essas injustiças e pela verdadeira independência. Hoje estamos à mercê de políticos corruptos que estão retirando direitos da classe trabalhadora. Essas reformas criminosas estão atingindo diretamente a vida das pessoas”, justificou o presidente da Central Única de Trabalhadores em Pernambuco (CUT-PE), Carlos Veras. A organização não conseguiu chegar a um consenso sobre a adesão à marcha. Alguns disseram que a estimativa foi de três mil pessoas e outros disseram que cinco mil pessoas compareceram à manifestação.

Este foi o segundo ano que o Grito dos Excluídos se concentrou na Praça do Derby. Até 2015, a marcha saía da Praça Oswaldo Cruz, na Boa Vista. “A Praça do Derby tem ficado conhecida como a Praça da Democracia por ter um histórico de ser um espaço de concentração de diversos atos promovidos por movimentos sociais. E aqui também é mais amplo, conseguimos ter um contato maior com as pessoas”, explicou um dos organizadores, Pedro Firmo, membro do Grupo Contestação e estudante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Os militantes também protestaram contra a Reforma da Previdência e as privatizações. “Privatizar a Chesf é privatizar o Rio São Francisco, as águas de Pernambuco e do nosso país. As privatizações e a política do Estado mínimo são um risco muito grande à soberania da população e à sobrevivência das políticas públicas que ainda garantem um mínimo de dignidade às pessoas”, completou o presidente da CUT em Pernambuco.

Membros do Sindicato dos Bancários de Pernambuco também estiveram presentes na passeata contra a privatização dos bancos públicos, que, segundo os movimentos sociais, coloca em xeque programas sociais, como o Fies, de agricultura familiar e de habitação. “A Caixa Econômica Federal, principalmente, é um banco fundamental para a infraestrutura do país. Privatizar a Caixa significa menos investimento na educação, na saúde e na habitação. É preciso lembrar que o Brasil só não entrou em uma crise econômica maior porque tem um banco público forte. Ele não pode ser um mero apêndice do sistema financeiro”, disse a presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, Suzineide Rodrigues.

Apenas dois políticos com mandato estiveram presentes: o vereador Ivan Moraes Filho (Psol) e a deputada estadual Teresa Leitão (PT). Moraes ressaltou que o Grito dos Excluídos não deveria ser apenas uma marcha dos movimentos políticos da esquerda. “O momento de retrocesso de direitos deveria chamar a atenção de todos, independentemente de bandeira partidária e de preferência política. Quem é de direita está perdendo direitos, quem é de esquerda também”.

Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco

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