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Governo já admite adiar a reforma

22 de abril de 2017

Diante da resistência de parlamentares aliados, o governo passou a admitir que pode adiar a votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara, inicialmente prevista para a segunda semana de maio.

Líderes e articuladores da base de Michel Temer no Congresso reconhecem que precisarão de mais tempo para convencer a população e os deputados a apoiar o novo texto do projeto, apresentado na última quartafeira (19) na comissão especial da reforma.

Segundo os aliados de Temer, as mudanças na proposta atenderam à maioria dos pedidos de flexibilização feitos pela base aliada, mas a discussão sobre o tema foi contaminada pelo projeto original, elaborado pelo Palácio do Planalto, que continha regras mais duras que o texto atual.

O governo avalia que precisa de tempo para vencer as resistências, o que não deve ser possível até a data marcada para início da votação no plenário da Câmara, em 8 de maio.

Articuladores de Temer defendem o adiamento do cronograma em ao menos uma semana, mas alguns aliados do presidente admitem que pode ser necessário empurrar a data ainda mais. No limite, o texto passaria pela Câmara em junho e só teria sua votação no Senado no segundo semestre.

"O debate está contaminado pela proposta original, e é preciso deixar claro que aquele texto ficou para trás. Confio que isso possa ocorrer até o dia 8, mas é preciso ter certeza de que o tema está descontaminado", afirmou à reportagem o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O adiamento seria uma maneira de ampliar os efeitos da ofensiva publicitária deflagrada pelo governo nos últimos dias, em defesa da reforma. O Planalto espera que campanhas de TV e rádio ajudem a vencer resistências dos deputados em suas bases eleitorais.

"Não é possível fixar uma data [para a votação, porque esse é um processo de discussão amplo, num país com 200 milhões de habitantes em um território continental. A comunicação às vezes demora para chegar. Tem que esperar um pouco", disse à reportagem o ministro Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo). Imbassahy e Maia participaram na noite de quinta-feira (20) da cerimônia do prêmio Lide Empresarial, concedido pelo grupo que era, até 2016, comandado pelo prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), e hoje é liderado pelo ex-ministro Luiz Fernando Furlan.

Em um momento em que Executivo e Legislativo estão em xeque pela revelação da lista de investigados no Supremo, Maia fez um breve discurso a uma plateia de empresários em defesa da classe política como vetor para a saída da crise econômica. "Juntos, sociedade e política, criaremos uma agenda de recuperação. O Congresso tem um papel decisivo na retomada do crescimento", declarou o presidente da Câmara.

BOQUINHA Ao defender a reforma trabalhista para a elite empresarial do País, Rodrigo Maia fez fortes críticas aos sindicatos, que resistem às mudanças nas leis trabalhistas. Segundo ele, a resistência dos sindicatos acontece porque eles não querem perder "a boquinha."

"Os sindicatos não querem perder a boquinha, aquilo que ganham sem nenhum esforço, então, é legítimo que se mobilizem", disse Maia.

A afirmação do presidente da Câmara é feita no momento em que há forte tendência na Casa pela extinção do imposto sindical, principal fonte de recursos dos sindicatos. "Os sindicatos, com muita competência, pressionam, acuam e depredam o Congresso, como fizeram na semana passada. A Polícia Civil, que deveria estar preocupada com a nossa segurança, vai ao Parlamento e quebra as entradas do Parlamento brasileiro. A gravidade de um ato como esse é muito maior que pressionar parlamentares na Câmara dos Deputados", disse.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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