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Governo erra, o povo paga
23 de março de 2014O risco de um novo racionamento de energia elétrica trará custos para todos. Do empresários ao consumidor final. "É uma grande preocupação, porque atualmente estamos pagando caro. No entanto, corremos o risco de parar e não ter energia suficiente", resume o presidente do conselho temático de infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger. Até a presidente Dilma Rousseff, que evita falar e ouvir a palavra racionamento, teme o custo político de um possível corte na demanda.
Em caso de racionamento, as empresas só vão ter duas opções: ou contratar um gerador, o que não vai sair barato com o atual preço do diesel, ou reduzir a produção, o que resultará em diminuição das receitas. "Todo mundo vai ter prejuízo", completa Essinger.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Recife, Eduardo Catão, diz que o comércio vai fechar as lojas alguns dias por causa dos jogos do Brasil na Copa. "Se tiver racionamento, serão mais dias sem abrir as portas. Racionamento de energia é sinônimo de prejuízo", atesta, acrescentando que teme que a medida chegue após as eleições, comprometendo a mais importante época de vendas, as do final do ano.
Se ocorrer o racionamento, o País terá a sua imagem arranhada no exterior. "A falta de energia elétrica afasta os grandes investimentos", defende o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, especialista na área de energia.
Mesmo se não houver racionamento, as empresas nordestinas que estão no mercado livre (onde se compra e vende energia de acordo com a lei da oferta e demanda) já estão pagando uma taxa extra devido a "uma restrição operacional regionalizada no submercado Nordeste informada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS)". Saindo do jargão técnico, a tal restrição é a falta de água para gerar energia na região. Há casos de empresas que estão pagando um adicional de mais de R$ 100 mil na conta de luz.
O Nordeste "importa" de 25% a 30% de toda a energia que consome. "Quando há qualquer problema no suprimento dessa energia, os grandes consumidores da região, como a indústria, pagam mais caro", desabafa Essinger. E acrescenta: "a região está na desvantagem com relação à geração de energia. Se isso não for modificado, vai parar de crescer, no futuro, por falta de energia".
Mesmo sem ocorrer o racionamento de energia, as térmicas trabalhando a todo vapor trarão um acréscimo de quase R$ 20 bilhões a conta de energia dos brasileiros. O governo federal ainda não decidiu como será essa cobrança. Dentro desse valor, estão R$ 8 bilhões que serão tomados emprestados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) para cobrir a compra de energia mais cara realizadas pelas distribuidoras de energia, como a Celpe.
Como está faltando água nos reservatórios, o preço da energia subiu muito no mercado de curto prazo desde janeiro último. "Foi muito prejudicial ao setor elétrico e ao consumidor os efeitos da Medida Provisória 579 que se transformou na Lei 12.783/2013", conta a diretora da C&T Assessoria e Gestão de Energia, Conceição Cavalcanti.
Curiosamente, a MP 579 é justamente a que deveria baratear a conta de luz para o consumidor final.
No entanto, o governo federal esqueceu que estava num País que ainda depende de São Pedro para ter energia. "Dilma achou que podia revogar a lei da oferta e da procura", alfineta Adriano Pires. Agora, só resta torcer para chover.
Fonte: Jornal do Commercio
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