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Governo eleva para 6% o IOF dos estrangeiros
19 de outubro de 2010SÃO PAULO – O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou ontem que o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimento estrangeiro em renda fixa passará para 6% (no lugar dos 4% atuais). O tributo já havia subido de 2% para 4% no começo do mês. O governo também aumentou o IOF de 0,38% para 6% sobre a margem de garantia para investimentos no mercado futuro. Também valendo apenas para estrangeiros. As medidas visam a interromper a valorização excessiva do real. “Queremos diminuir o apetite principalmente de investidores de curto prazo”, afirmou Mantega.
Mais cedo, também em São Paulo, o presidente do Banco Central, disse que o momento agora é de análise do que foi feito e do que poderia ser feito. “Todos os países estão tomando medidas para proteger suas próprias economias e o Brasil está tomando todas as providências para isso. A melhor postura nesse momento é aguardarmos”, afirmou, ao participar da comemoração dos 19 anos da ONG Viva o Centro, da qual é fundador.
Além de o governo já ter elevado a alíquota de IOF sobre alguns tipos de investimentos estrangeiros, o BC vem comprando dólares no mercado à vista para diminuir o impacto da forte entrada de recursos. O Fundo Soberano já está autorizado a fazer o mesmo. Meirelles destacou que, além do polo de ação individual, há também o polo de discussão multilateral em que o Brasil tem desempenhado papel ativo visando enfrentar o problema de forma global.
A reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), realizada no fim de semana retrasado, em Nova Iorque, terminou sem acordos concretos. Representantes das principais economias do mundo voltam a se reunir em novembro, em Seul.
ALTA DO REAL
Desde o início do mês, Mantega já dava sinais de que o governo poderia intervir no IOF para estrangeiros. Ele reforçou na ocasião que todas as alternativas para evitar uma valorização excessiva do real estavam sendo estudadas. Ele ainda admitiu que a operação de capitalização da Petrobras era vista com preocupação, pois envolvia uma forte entrada de recursos externos. “Mas ela já está sendo digerida, principalmente com compras do BC no mercado à vista”, afirmou à época.
Mantega já afirmou que o mundo vive uma guerra cambial, com os países buscando desvalorizar as suas moedas e já havia adiantado que o Brasil tem mecanismos para impedir que haja uma valorização cambial exagerada no País. “Vivemos hoje uma guerra cambial internacional, uma desvalorização cambial generalizada. Isso nos ameaça porque tira a nossa competitividade”, disse durante evento da Fiesp no final de setembro.
Segundo o ministro afirmou à época, o governo tem medidas para impedir que sobrem dólares no mercado. “Já estamos comprando um volume muito maior de dólares. Devemos estar com US$ 270 bilhões de reservas mais as reservas que o Tesouro tem. O Tesouro vem comprando dólares, então já temos um volume grande. Não deixaremos sobrar dólares no mercado”.
Fonte: Jornal do Commercio
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