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Governo Bolsonaro reage à pressão do Nordeste

10 de janeiro de 2019

O governo Jair Bolsonaro (PSL) deu sinais de reação à movimentação iniciada por Pernambuco para formar uma Frente Parlamentar em defesa do Nordeste, onde Fernando Haddad (PT) foi blindado no primeiro turno, e única do país na qual ganhou no segundo turno. O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que a gestão pretende formar um grupo interministerial – com seis a oito ministérios -, para tratar de questões referentes à região, que convive todos os anos com a seca. O ministro informou que a primeira reunião será nesta sexta (11). De antemão, o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), que faz oposição a Paulo Câmara (PSB), já foi chamado para se reunir com três ministros. “Todo mundo tem que descer do palanque”, afirmou o senador.

A decisão de montar uma equipe para tratar temas nordestinos foi anunciada por Lorenzoni depois de o governador Paulo Câmara ser o primeiro a solicitar uma audiência com Bolsonaro e dizer que deseja desarmar os palanques. Também chegou de forma simultânea à proposta feita pelo deputado federal Danilo Cabral (PSB) de formar uma frente com 200 deputados e senadores para blindar a região de eventuais perseguições e abrir uma porta de diálogo.

A frente precisa ter pelo menos 198 assinaturas para ser aprovada, de maneira que possa usar as instalações do Congresso Nacional, mas sem gastos extras. Existem 151 deputados federais e 27 senadores eleitos pelo Nordeste, mas Danilo ainda trabalha com a possibilidade de atrair outros simpatizantes a partir de 1º de fevereiro, quando os novos parlamentares tomam posse.

Lorenzoni também falou sobre nova equipe interministerial em prol do Nordeste depois de Bolsonaro declarar, ao SBT, a seguinte frase: “Espero que não venham pedir nada para mim porque eu não sou o presidente deles. O presidente (dos governadores do Nordeste) está em Curitiba”, fazendo uma referência ao ex-presidente Lula. Danilo acredita que houve um recuo do presidente.

“O que desejamos é que essa interlocução tenha consequências, traga ações, que não seja apenas uma reação retórica em função do constrangimento que o próprio presidente criou na relação o Nordeste”, disse Danilo Cabral.

 

Reunião com FBC

Fernando Bezerra se encontrou, na terça-feira, com a ministra da Agricultura (Teresa Cristina), e os ministros de Desenvolvimento Regional (Gustavo Canuto) e Infraestrutura (Tarcísio Freitas). Entre os temas, foram discutidos a importância dos perímetros irrigados em Pernambuco, mas sem aprofundamento, uma vez que todos estão tomando conhecimento das pastas. O senador citou o caso de Petrolina, que tem esses perímetros, e gera 150 mil empregos.

O senador não polemizou com a proposta de Danilo Cabral. “Acho interessante toda iniciativa de mobilização e debate”. Em relação a Paulo Câmara, contudo, Fernando Bezerra, que foi vice-líder do presidente Michel Temer (MDB), alfinetou. “Quando se fala na necessidade de descer do palanque, tem que ser recíproco”, afirmou, sem destacar nomes, mas dizendo, por exemplo, que o PSB precisa sinalizar apoio a pontos da reforma da Previdência. “Pernambuco tem déficit de R$ 3 bilhões na Previdência. Não dá para procrastinar essa questão”, declarou o senador. Ele disse que o MDB vai assumir uma posição de independência em relação ao governo Bolsonaro, mas ele frisou ter muita afinidade com as propostas da nova gestão.

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