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Governo ‘bate cabeça’ com reforma

14 de dezembro de 2017

O líder do governo no senado, Romero Jucá (PMDBRR), afirmou, na tarde de ontem, que a reforma da Previdência será mesmo adiada para 2018, declaração que explicitou a ausência de votos para sua aprovação e deflagrou um bate-cabeça no Executivo.

A declaração de Jucá foi dada enquanto o presidente Michel Temer passava por nova cirurgia urológica em São Paulo. “Há um acordo entre os presidentes das duas Casas para a votação da reforma da Previdência somente em fevereiro. O acordo foi feito em  conjunto com o governo”, disse o senador em nota.

Momentos depois, governistas deram declarações e divulgaram notas afirmando que o adiamento ainda não é oficial, mas não desmentiram diretamente Jucá.

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que horas antes havia dito que definiria a data da votação até hoje, negou negociação. “Não combinei nada”, disse logo que a notícia do adiamento se alastrou pelo plenário da Casa.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), fez coro. “Não fiz reunião com o Michel, não fiz reunião com ninguém”.

Segundo governistas, Jucá pode ter ultrapassado o sinal e anunciado a decisão antes da hora, já que estava prevista uma entrevista de Temer, Maia e Eunício para hoje. Mas o adiamento já estava acordado com o próprio presidente da República e foi decidido na noite de terça-feira (12). Antes de divulgar nota, Jucá conversou com Maia, Eunício e o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil).

A notícia de que a reforma ficará só para fevereiro de 2018 piorou o humor do mercado. A Bolsa caiu 1,22% e o dólar comercial fechou em baixa de 0,36%, para R$ 3,317.

Jucá afirmou que a decisão de adiar a reforma foi tomada por causa do esvaziamento do Congresso na próxima semana. Deputados e senadores deveriam antecipar a votação do Orçamento de 2018 para esta quarta.

Normalmente, após a votação do Orçamento, parlamentares entram em férias e as atividades legislativas são encerradas. Até o início da noite, a votação ainda não havia começado.

SURPRESA

 Apesar de nos bastidores reconhecerem que não deve haver votação neste ano, governistas se disseram pegos de surpresa e as versões propagadas eram contraditórias.O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, foi o primeiro a confrontar a declaração do líder do governo. “Jucá expressou sua opinião de que ele acha isso uma solução viável e possível que ocorra, mas é evidente que não é uma decisão ainda. Pode não ser”, disse.

De repente, o clima de otimismo que o Palácio do Planalto e seus aliados tentavam imprimir nos últimos dias “apesar de ainda distantes dos 308 votos necessários para aprovar a matéria” tornou-se apreensão e indignação.

“Isso é uma sacanagem com Michel”, repetia o deputado Beto Mansur (PRB-SP), da tropa de choque de Temer. “Fica mais difícil porque fica mais perto das eleições”.

“Talvez o Jucá tenha informação que ainda não chegou no Planalto e por isso não chegou aqui”, ironizou o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PPPB).

No Palácio do Planalto, alguns auxiliares de Temer não escondiam irritação com o “furo” dado por Jucá. Trinta e dois minutos após informar que Temer precisaria de “até 48 horas” para se recuperar, o Planalto soltou nova nota para informar que o presidente retorna a Brasília hoje para discutir a data de votação. A reunião, no entanto, não estava na agenda oficial divulgada no início da noite de ontem.

Fonte: Fonte: Jornal do Commercio

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