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Geraldo Julio abre mão de salário extra
28 de agosto de 2013O prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), vai abrir mão da verba mensal de representação que tinha direito de receber da prefeitura, no valor de R$ 11,7 mil. Ele disse ontem à noite, por meio de nota oficial, que vai devolver aos cofres públicos os recursos recebidos nos últimos oito meses, totalizando um valor de R$ 93,6 mil. A verba de representação era um benefício a mais que o gestor tinha direito de acordo com a lei municipal 17.732, sancionada em 2011, na gestão do seu antecessor, João da Costa (PT). Era o equivalente a 80% do salário de prefeito e se somava aos vencimentos que ele optou por receber do Tribunal de Contas do Estado (TCE), correspondente a R$ 17,5 mil. O total acumulado por Geraldo Julio ultrapassava o teto do funcionalismo público e ele já devolvia R$ 3,9 mil por mês ao tesouro.
Além de abrir mão do benefício, o prefeito se comprometeu em mandar um projeto de lei à Câmara dos Vereadores para revogar o dispositivo que trata do recebimento desse tipo de recurso para o prefeito e o vice-prefeito. A iniciativa havia sido, inclusive, sugerida por João da Costa, que se desgastou por ter aprovado essa lei, na época, beneficiando o então prefeito Milton Coelho (PSB).
Argumentando, desde o início de agosto, ser “legal e ético” receber o salário do TCE e a verba de representação da prefeitura, Geraldo Julio afirmou que abrirá mão do benefício para evitar polêmicas desnecessárias. “Apesar do Tribunal de Justiça, do Tribunal de Contas e do Ministério Público já terem atestado a legalidade do vencimento, decidi abrir mão do pagamento para evitar que essa falsa polêmica ocupe o tempo e o espaço onde deveriam ser discutidos os reais problemas da cidade”, afirmou.
Em resposta às críticas que vinha recebendo da oposição na Câmara e das redes sociais, o prefeito disse que o Recife precisa de outro debate no momento. “O povo não me elegeu para gastar energia e capacidade de trabalho com questões como essa. Sou servidor público concursado há mais de 20 anos e não vou deixar que tentem manchar a minha carreira atacando a minha honra e a minha integridade”, declarou, lembrando ser funcionário do TCE desde 1992.
A decisão de Geraldo Julio foi anunciada um dia depois de o Ministério Público ratificar a legalidade no recebimento da verba de representação. Antes, o TCE também havia declarado legalidade enquanto o Judiciário tinha negado a antecipação de tutela em ação popular movida pelo líder da oposição na Câmara do Recife, Raul Jungmann (PPS). O vereador cobrava a suspensão do pagamento do benefício.
Lei valerá para secretários
A lei que permite a qualquer prefeito do Recife receber verba de representação e, ao mesmo tempo, o salário integral do órgão público ao qual é vinculado foi sancionada em 30 de agosto de 2011. O texto integral da Lei 17.732/2011 dispõe sobre a remuneração dos servidores efetivos e comissionados da administração direta, autárquica e fundacional do Recife. O texto tem 43 artigos e o benefício para os gestores está no 33º artigo, quase no final, sendo foi aprovado sem a mesma polêmica, na época.
O vereador Raul Jungmann diz que a lei se choca contra o artigo 37 de Constituição Federal, que veta o acúmulo de remunerações por chefes de executivos e seus respectivos vices, tendo ou não caráter indenizatório. Mas, pela regra municipal aprovada há quase dois anos, os servidores do município ou do outro ente federado que seja colocado à disposição do município e venha ocupar cargos de prefeito, vice-prefeito ou secretário poderão optar pelo subsídio desses cargos ou pelas remunerações do cargo ocupado na origem, com direito, nesse caso, a perceberem uma verba de representação correspondente a 80% do valor do subsídio do cargo. A norma municipal beneficia, atualmente, mais quatro secretários do prefeito. Marcone Muzzio (Administração), Sileno Guedes (Governo), Alexandre Rebêlo (Planejamento) e Antônio Alexandre (Desenvolvimento).
Fonte: Diario de Pernambuco
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