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Geraldo cria a superURB

5 de dezembro de 2013

Em 2014, a Empresa de Urbanização do Recife (URB) se prepara para administrar um orçamento bilionário e inédito. Nada menos que 23,4% de toda a verba prevista pela Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) estarão concentrados lá, uma cifra que pode chegar a R$ 1,24 bilhão. São 448,3% a mais que o projetado para este ano (R$ 226,7 milhões).

Afora o desafio de executar boa parte desse orçamento, já que a maior fatia do montante (R$ 1,14 bilhão) é para investimentos em obras e serviços (o restante é relativo a despesas correntes, de custeio dos serviços públicos), a equipe municipal precisa garantir a obtenção dos recursos que viabilizem tamanha expectativa. Somente R$ 88 milhões serão oriundos do cofre municipal, ou seja, da arrecadação de tributos. O restante precisará ser captado por meio de convênios com a União, em um ano eleitoral, e através de empréstimos.

Na carteira de responsabilidades da URB estão as principais obras que prometem melhorar a vida do recifense: conclusão da Via Mangue, urbanização de áreas consideradas de risco e finalização do projeto da Comunidade do Pilar, no Bairro do Recife, entre outras (confira arte ao lado). O maior peso, no entanto, estará em melhorias no sistema viário da capital pernambucana. Serão até R$ 519,8 milhões para tentar desatar o nó da mobilidade.

O secretário de Planejamento e Gestão do Recife, Alexandre Rebêlo, garantiu que, apesar da concentração bilionária na URB, os investimentos de outras pastas não serão comprometidos. Como exemplo citou uma turbinada também na de saúde. Segundo ele, o prefeito Geraldo Julio estipulou uma meta ousada para o setor. "Pela lei, temos que investir 15% na área. A ideia é fechar 2013 com 16,25% e 2014 com 17,5%. Este ano, tudo feito basicamente com receita própria", destacou, reforçando que não é apenas a URB que está passando por uma injeção de recursos.

Quanto aos desafios de execução do orçamento, Rebêlo informou que já em 2013, primeiro ano da gestão Geraldo Julio, ainda direcionado por uma Lei Orçamentária Anual (LOA) elaborada pelo ex-prefeito João da Costa, a URB baterá recorde histórico de investimento liquidado. Ou seja, obra concluída e gerando benefício para população, com fatura devidamente quitada. Ao fim do ano, terão sido executados R$ 250 milhões, cifra que é maior que os R$ 226 milhões orçados.

Esse é outro ponto para o qual o secretário faz questão de chamar atenção. A empresa municipal vinha realizando um baixo percentual de execução nos últimos anos. Em 2009, por exemplo, dos R$ 231 milhões orçados, apenas R$ 67,5 milhões foram liquidados. O desempenho melhorou a partir de 2011, ano de início das obras da Via Mangue. E em 2013 essa relação superou a previsão.

Manter o fôlego de execução em um orçamento mais que cinco vezes superior é um dos grandes desafios. É preciso ter dinheiro. Para isso, as receitas da PCR precisam ser concretizadas, da arrecadação municipal aos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – que nos últimos dois anos tem imposto frustrações aos prefeitos. Na celebração de convênios, a PCR terá que driblar possíveis retaliações da União, haja vista que o governador e candidato à Presidência Eduardo Campos é fiador da gestão Geraldo Julio. Para fechar a lista, a PCR precisa revolucionar sua política de obtenção de crédito.

Fonte: Jornal do Commercio

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