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Gelos-baianos saem de cena
9 de outubro de 2013Encravados há anos em inúmeros corredores viários do Recife, os blocos de concreto (conhecidos como gelos-baianos) começam, enfim, a abrir caminho para sair de cena da paisagem da cidade. Numa ação conjunta da Companhia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) e Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), a prefeitura começa, hoje, a recomposição do canteiro central da Avenida Mascarenhas de Morais, no bairro da Imbiribeira, Zona Sul, para retirada dos blocos que ocupam 12 trechos de antigos retornos no local.
Ontem, alguns gelos-baianos foram relocados para possibilitar a interligação do meio-fio dos canteiros.
"A finalidade dos blocos é o uso temporário, não permanente como vinha ocorrendo", observa a diretora de manutenção urbana da Emlurb, Fernandha Batista. "Vamos recompor os canteiros e dar um tom urbanístico mais moderno e bem sinalizado à cidade. O trabalho é paralelo à substituição das placas de concreto que vem sendo feita pelo município."
Segundo a diretora, ainda este ano a Macarenhas de Morais e a Avenida Recife terão o serviço concluído. "Numa segunda etapa, começaremos pela Avenida Norte, continuando por outros corredores, como o Cais do Apolo, Avenida Sul (Centro) e Antônio de Goes (Boa Viagem). Os canteiros acompanharão os modelos existentes em cada local, ganhando rampas de acessibilidade onde for pertinente." Os blocos removidos vão para depósito da prefeitura, sendo utilizados quando necessário.
O paisagista e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Luiz Vieira recebeu a notícia com alegria. "Essa ação é muito importante para a paisagem urbana do Recife, melhor ainda se plantarem árvores e flores nos canteiros centrais em questão", salientou. Há três anos, ele integrou um grupo de engenheiros, arquitetos e publicitários que sugeriu a substituição dos gelos-baianos por jardineiras feitas com carcaça de pneus usados, mas a proposta não foi abraçada pelo município.
PROLIFERAÇÃO
Conforme a CTTU, o Recife tem, hoje, cerca de 4.500 gelos-baianos. Embora o equipamento tenha caráter provisório – como bloqueios em datas festivas – nas últimas gestões petistas eles ganharam muito espaço, assumindo as mais diversas funções, como delimitar giradouros e ilhas de pedestres, dividir pistas e até mesmo proteger gradis, postes e outras sinalizações, incorporando-se à chamada paisagem invisível da cidade, aquela que, de tão acostumados, a gente nem percebe, como fiação exposta e lixo nas ruas.
Os "monstrengos" pesam cerca de 500 quilos e começaram a ser usados sob argumentação de evitar acidentes, já tendo causado muita polêmica na cidade, pois chegaram a ser colocados até em calçadas para proibir estacionamentos, como no bairro das Graças, Zona Norte.
Fonte: Jornal do Commercio
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