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Futuras delações deixam Michel Temer em alerta

12 de junho de 2017

Michel Temer chegou ao poder de mãos dadas com amigos. Assinou a posse como interino graças a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que chefiou o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Nomeou Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) como ministro do Turismo e Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) como assessor. O doleiro Lúcio Bolonha Funaro assistiu a tudo em liberdade.

Passado pouco mais de um ano, Cunha, Alves, Loures e Funaro acompanham de dentro da prisão a crise que se abate sobre o colega presidente. Temer também está atento ao que se passa com seus bons companheiros. Há entre os ocupantes do Planalto o temor de que o quarteto possa usar a delação premiada como atalho para abreviar cadeia. Dois já deram sinais de que podem falar.

Funaro, responsável pela engenharia financeira dos esquemas dos pemedebistas, trocou de advogado. Cézar Bittencourt abandonou o caso dizendo que a delação geraria conflito de interesses com outros clientes. “Conversei com meu sócio [Bruno Espiñeira Lemos] e por enquanto nada a declarar”, disse o novo advogado Victor Minervino Quintiere.

Pemedebistas temem que Funaro ensine aos procuradores o caminho das propinas pagas de políticos do partido. Funaro é pivô, diz o Ministério Público, de organização que cobrava propina de empresários que pleiteavam financiamentos via Caixa. Foi, segundo José Yunes, ex-assessor de Temer, o portador de R$ 1 milhão da Odebrecht em caixa dois entregue no escritório do presidente, em 2014. Estourou o escândalo da JBS e ele não ficou de fora. Segundo Joesley Batista, a empresa repassou R$ 170 milhões à dupla Cunha e Funaro.

Cunha manda recados. Em dois processos, um por corrupção na Petrobras e outro no qual é acusado de chefiar esquema de propina na Caixa, arrolou Temer como testemunha. Enviou a ele perguntas que foram vistas como aperitivo do que seria sua delação.

Na cadeia Cunha passa o dia escrevendo e falando com advogados. Mas uma delação não seria para já. Segundo pessoa próxima, o tempo de falar é quando o procurador-geral da República não for mais Rodrigo Janot. Os dois travaram batalhas e ele considera impossível fazer bom acordo. Em setembro, vence o mandato de Janot, que será substituído por um nomeado de Temer. Cunha e Funaro estão presos desde 2016. Loures e Alves, com dias de prisão, permanecem em silêncio. 

Fonte: Fonte: Diario de Pernambuco

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