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Força Nacional nas ruas
15 de maio de 2014A confirmação da greve da Polícia Militar (PM) por tempo indeterminado, decretada na noite de ontem, em frente ao Palácio do Campo das Princesas, no Centro do Recife, levou o governador João Lyra Neto a tomar uma medida enérgica: o Exército Brasileiro e a Força Nacional de Segurança foram convocados e estarão ainda hoje nas ruas de Pernambuco. Quem coordena pessoalmente as tropas é o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. O governo já entrou com uma ação no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) contra o movimento por considerá-lo ilegal e abusivo.
"Entramos em um acordo (intermediado por deputados estaduais) com a comissão da PM, que entendeu e concordou com a contraproposta para as reivindicações. Inexplicavelmente, diferente do discurso na reunião, eles continuaram com a greve. Talvez, os líderes do movimento não tenham tido sabedoria de passar aos outros o que foi acertado", disse o governador, em coletiva na noite de ontem.
A PM havia pedido prioridade na avaliação de quatro das 18 exigências feitas desde 25 de abril, dia da primeira manifestação, já que o governo alegou falta de tempo para considerar todas: reestruturação do Hospital da Polícia Militar, plano de cargos e carreira, reajuste de 50% nos vencimentos de oficiais e 30% nos de praças e aumento do vale-refeição de R$ 150 para R$ 500.
Parlamentares se encontraram com Lyra e os representantes da Casa Civil, Militar e Secretaria de Administração, na Secretaria de Planejamento, localizada na Rua da Aurora, para chegar a um acordo durante à tarde. A resolução foi apresentada aos grevistas na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Em seguida, a comissão à frente da greve explicou tudo aos cerca de mil grevistas concentrados, no início da noite, na Praça da República, e apresentou proposta para encerrar a greve. Mas a tropa não concordou e a greve foi prorrogada.
Embora o governo tenha garantido as melhorias no hospital e as promoções atrasadas, não houve acordo em relação ao reajuste dos salários. A justificativa, de acordo com Lyra, é que não existe a possibilidade de reajustar salários em ano eleitoral, além dos percentuais pedidos pela PM não serem condizentes com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Joel Maurino, um dos líderes do movimento grevista, disse que os PMs não vão ceder e retornarão, na manhã de hoje, às imediações do palácio. "A tropa sabe que, em outros Estados, mesmo em ano eleitoral, a PM conseguiu aumento salarial. Continuaremos acampados aqui até o governador acatar nossos pedidos", afirmou.
Enquanto a Polícia Militar permanecer parada – durante todo do dia de ontem, viaturas ficaram recolhidas nos batalhões -, a Força Nacional deve fazer a segurança no Estado. O efetivo não foi informado, mas, segundo Lyra, é suficiente para manter a ordem e a tranquilidade da população. O governo publicou uma nota oficial nos jornais explicando os acordos feitos com a categoria e a evolução da remuneração da PM desde 2007.
Clima de guerra em 1997
Dia 12 de julho de 1997. Em assembleia, na quadra do Instituto de Educação de Pernambuco (IEP), no bairro de Santo Amaro, cerca de 5 mil soldados e oficiais da Polícia Militar de Pernambuco escreveram um capítulo inédito na história da corporação. Pela primeira vez no Estado, os PMs decidiram cruzar os braços e o que se viu, nos dias seguintes à paralisação, foram cenas de guerra nas ruas do Recife. Tanques do Exército nas principais avenidas, marginais à solta, PMs presos, comerciantes fechando as portas das lojas mais cedo. Foram 12 dias de medo e tensão.
Um dos principais cenários desse conflito foi o Palácio do Campo das Princesas. Quatro dias após a assembleia histórica, a paralisação é deflagrada e o Exército cerca o palácio. Na época, o governador era Miguel Arraes e o secretário da Fazenda e homem forte do governo, o seu neto Eduardo Campos, que, 10 anos depois, (de 2007 até 4 de abril deste ano) iria ocupar a mesma cadeira do avô no comando do Estado. Entre os muitos fatos que marcaram aquela primeira paralisação, estão a prisão de 15 integrantes da Associação dos Cabos e Soldados e a morte de um soldado do Exército durante assalto a uma agência bancária no Centro do Recife.
O movimento grevista coincidiu com a ascensão de lideranças tanto da Associação dos Cabos e Soldados quanto da Associação dos Oficiais, Subtenentes e Sargentos da Polícia e Bombeiro Militar. É o momento em que aparecem e ganham visibilidade policiais que, mais tarde, terminariam seguindo carreira política. É o caso do soldado Moisés, que foi eleito deputado estadual, e do então major Alberto Feitosa, que também conquistaria uma vaga na Assembleia Legislativa.
Em 2000, já na gestão do então governador Jarbas Vasconcelos, é deflagrada a segunda greve na história da Polícia Militar de Pernambuco. Novamente, o Palácio do Campo das Princesas virou palco de tensão entre policiais grevistas e oficiais que não aderiram à paralisação. Num dos episódios mais tensos, um tiroteio na Praça da República terminou com três oficiais e um soldado feridos. O clima de pânico e uma onda de boatos deixou a população da Região Metropolitana apavorada.
Fonte: Jornal do Commercio
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