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FMI sugere medidas fiscais contra o câmbio

7 de outubro de 2010

O FMI afirmou ontem que o Brasil e a América Latina precisam adotar novas medidas para lidar com o câmbio diante do intenso fluxo de capitais externos, usando não só políticas monetárias mas principalmente exercitando instrumentos fiscais.

A sugestão está no World Economic Outlook (Perspectivas da Economia Mundial), relatório divulgado às vésperas das reuniões anuais do Banco Mundial e do FMI em Washington. O texto afirma que o aperto fiscal ajudará o Brasil a agir contra o risco de supervalorização cambial e que, dados os desafios do forte fluxo de capitais externos, instrumentos fiscais funcionarão melhor do que os monetários.

O Brasil elevou esta semana impostos sobre determinados investimentos estrangeiros para evitar a valorização do real em meio ao crescimento do fluxo de capitais estrangeiros e ontem anunciou o aumento do prazo para compra antecipada de moeda estrangeira.

O diretor econômico do FMI, Olivier Blanchard, declarou que há espaço para o controle de capitais que o Brasil vem tentando fazer, mas que ele é limitado à direção do fluxo, não a seu volume. Blanchard lembrou também que, após a crise econômica, o reequilíbrio externo vai implicar a valorização de um grande número de moedas de países emergentes.

O Banco Mundial também reforçou a importância de a América Latina e o Brasil desafogarem políticas monetárias para agir no câmbio. Augusto de la Torre, economista-chefe do Bird para a região, disse que é preciso partir para o arrocho fiscal. “O ritmo do crescimento do gasto corrente precisa se desacelerar e ficar um pouco menor que o PIB nominal.”

O relatório do FMI publicou também revisões das projeções de crescimento das economias mundiais. Para o Brasil, a projeção ficou em 7,5% em 2010 (aumento de 0,4 ponto do estimado em julho). A previsão de crescimento global foi revisada de 4,6% para 4,8%. O FMI estima que o PIB brasileiro sofra uma desaceleração em 2011, crescendo 4,1%. A previsão geral caiu de 4,3% em julho para 4,2%.

FUNDO SOBERANO – Uma das armas do governo para tentar segurar a apreciação do real, o Fundo Soberano do Brasil (FSB), pode estar sem munição. Após a capitalização da Petrobras, que movimentou cerca de R$ 120 bilhões, o patrimônio do Fundo passou a ser quase que totalmente formado por ações da petrolífera e uma pequena parte do Banco do Brasil (BB).

O FSB participou com cerca de R$ 12 bilhões da capitalização da Petrobras, mas também já havia adquirido um lote dos papéis da estatal que estava com a Caixa Econômica Federal (CEF), com mais aproximadamente R$ 2,5 bilhões.

Fonte: Jornal do Commercio

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